Ministros confirmam encontro de FHC com oposição
Brasília, 09 (AE) - Os governadores de oposição devem se reunir ainda este mês com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A retomada do diálogo foi acertada hoje pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, após reunião de mais de duas horas com os governadores Anthony Garotinho (PDT-RJ), Ronaldo Lessa (PSB-AL) e Olívio Dutra (PT-RS). "Mas ele é quem decidirá de que forma será esse encontro: se individualmente ou em grupo", ressalvou. Na reunião de hoje - da qual participou também o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e da Previdência, Waldeck Ornelas, os governadores posicionaram-se contra as medidas federais como a Lei Kandir, o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef). "Os Estados estão sofrendo muito com essas medidas que quebram o pacto federativo", argumentou Garotinho.
Eles também criticaram os cortes de verbas realizados nos Estados que não pagaram as parcelas da dívida. "É preciso que o governo retire as medidas retaliativas, já que não negamos nossas dívidas", disse Olívio Dutra, pedindo uma renegociação. "O governo federal não pode esmagar os Estados". Ao ouvir o argumento do governador petista, Pimenta da Veiga rebateu: "A retaliação representa o cumprimento dos contratos."
Durante a reunião os governadores acusaram os antecessores de terem agravado a situação dos Estados. "Os senhores foram co-responsáveis por tudo isso por terem aceito que os seus governadores aprofundassem o endividamento dos Estados", disse Anthony Garotinho para Malan. "Vocês terão em nós parceiros muito mais leais para fazer o plano de austeridade que os senhores desejam, do que os outros que vinham aqui pedir facilidades para gastar", disse Garotinho, citando nominalmente as administrações de Marcelo Alencar (PSDB-RJ), Antônio Britto (PMDB-RS) e Manuel Gomes de Barros (PTB-AL).
O governador pedetista disse que durante os últimos quatro anos o comprometimento da receita para o pagamento da folha desses Estados ficou em torno de 80%. "Mas agora, em menos de 60 dias vocês cobram medidas que os seus governadores deveriam ter feito", disparou Garotinho. "Meus governadores não", rebateu Pedro Malan.
BLOCO - O governador Ronaldo Lessa quer que Fernando Henrique receba os governadores em bloco. "Nós não aceitamos a proposta de conversar individualmente porque isso não configura a representatividade dos entes federativos". Garotinho chegou a lembrar que o ministro Pimenta da Veiga insinuou que o presidente Fernando Henrique poderia recebê-lo "individualmente" na noite de segunda-feira, mas que recusou o convite.
Dificuldades - A reunião quase foi cancelada. O governador gaúcho Olívio Dutra resistia em participar do encontro. Ele chegou a sugerir que os governadores fossem ao Ministério da Fazenda apenas para entregar a Carta de Porto Alegre - com as nove resoluções tiradas pela oposição na última sexta-feira - sem sentar para discutir os problemas. Foi preciso a interferência do presidente do PT, deputado José Dirceu, que com Garotinho e Lessa só conseguiram demover o governador petista da idéia depois da meia-noite. "A reunião de hoje foi um recuo do governo", avaliou Garotinho.
Depois do encontro com os ministros, os governadores reuniram-se com os parlamentares de oposição num auditório da Câmara dos Deputados. "O presidente da República precisa recebê-los, já que de outra forma ele estará negando receber o povo que os elegeu", disse o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). No Congresso, Ronaldo Lessa posicionou-se contra a privatização da Companhia Hidroelétrica do Rio São Francisco. Já Olívio Dutra
criticou a política de renúncia fiscal adotada por alguns governadores. Ele também cobrou uma postura soberana do governo brasileiro em relação ao Fundo Monetário Internacional (FMI).





