Ministro vê oportunidade para o Brasil com a crise dos alimentos
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O aumento do preço dos alimentos no mundo é uma oportunidade para o Brasil, não um problema. A opinião, afinada com as recentes declarações do presidente Lula (PT), é do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes (PMDB), de passagem ontem por Curitiba. ''Embora a inflação em decorrência da crise bata na mesa do consumidor, por outro lado a busca por alimentos mantém os empregos em 4.560 municípios brasileiros, que dependem da agricultura'', disse ele, se referindo à falta de alimentos - daí a alta de preço.
''A falta de alimentos ocorre porque o mundo está 'comendo mais', mas não é apenas uma questão agrícola, é por conta da produção de energia também. E o Brasil é auto-suficiente em energia. O Brasil, portanto, tem como tirar vantagens. É o País que mais tem condições de dar respostas à crise'', afirma ele, acrescentando que tal visão sobre as consequências da crise para o Brasil seria inclusive ''consenso dentro da área econômica''. Mas o problema, destaca ele, é percebido em outra dimensão em países como os Estados Unidos e integrantes da União Européia.
''No caso específico do Brasil, não há erros, pois há uma compatibilização entre produzir alimentos e produzir energia. Diferente dos Estados Unidos, que tem usado o milho, produzido em áreas grandes, para fazer o etanol'', enfatizou Stephanes, ao tentar explicar exatamente que vantagem o País teria em meio à crise. ''Como o Brasil não subsidia nem a produção de alimentos, nem a produção de energia, quando produzimos álcool estamos competindo com a gasolina. Já os Estados Unidos subsidia o seu etanol e o custo da produção (de combustível a partir de produtos agrícolas) na União Européia é três vezes maior em comparação ao Brasil''.
Questionado sobre como o governo federal tem enfrentado as críticas por encabeçar a produção de biocombustíveis em meio à crise de alimentos, o ministro disse que o Brasil está conseguindo ''deixar a situação mais clara''. ''Agora acho que o Brasil está conseguindo colocar seu ponto de vista ao mundo. O Brasil tem participado de todos os fóruns sobre o assunto. O último fórum, em Roma (Itália), o presidente Lula falou 30 minutos, enquanto que os demais presidentes falavam 4 ou 5 minutos'', acredita ele. Quando os preços dos alimentos começaram a disparar, os Estados Unidos, especialmente, questionou o volume da produção de biocombustíveis no Brasil.
Lula em Curitiba
Além de falar da crise dos alimentos, Stephanes anunciou que o lançamento do plano nacional de safra, referente a 2008 e 2009, ocorre em Curitiba, com a presença do presidente Lula. Segundo o ministro, é a primeira vez que o plano nacional de safra é lançado fora de Brasília. ''Optamos pelo Paraná para homenagear o maior Estado brasileiro em produção de alimentos'', declarou ele.
O lançamento das medidas do governo federal relativas à próxima safra acontece no próximo dia 2, às 10 horas. Na próxima semana, o presidente Lula estará na Argentina e deve seguir direto para Curitiba. O retorno a Brasília está previsto para as 14 horas do mesmo dia.
Ontem, em Curitiba, Stephanes se encontrou com representantes do governo do Estado para estruturar a chegada do presidente Lula na Capital paranaense. O ministro permaneceria no Estado até sexta-feira, cumprindo compromissos em Tibagi, Cruzeiro do Oeste e Umuarama.


