Brasília, 26 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho, afirmou hoje que a proximidade das eleições argentinas, que acontecem em outubro, pode estar contribuíndo para esta última escalada protecionista naquele país, mas que isso não deve afetar de grande maneira a discussão em torno de um solução para este impasse.
Carvalho garantiu, no entanto, que o governo não aceitará, sem se manifestar, que regras estabelecidas no âmbito do Mercosul sejam desrespeitadas por um dos membros do bloco. "Não poderemos aceitar que regras estabelecidas em comum possam ser violodas ou que os modelos de convivência e de construção de nossa união sejam destruídos", disse.
Ele disse que que o governo brasileiro já está trabalhando para encontrar uma solução diplomática para os últimos impasses entre o País e a Argentina. "Vamos confiante em nossa diplomacia e na força de nossos produtos que estarão sendo oferecidos ao mercado internacional."
O ministro tentou amenizar as últimas decisões argentinas sobre a aplicação de sistemas de salvaguardas contra qualquer parceiro do Mercosul, quando houver alegação de danos por empresários locais. Para Carvalho, as dificuldades são temporárias e serão resolvidas através do diálogo. "Não vai ser uma dificuldade como essa, que aparece agora, que vai fazer com que a gente destrua tudo aquilo que foi construído", disse.
Carvalho afastou a possibilidade do governo brasileiro tentar aplicar algum tipo de retaliação contra as exportações argentinas para o Brasil, e frisou sua crença de que o governo argentino "certamente" está disposto a resolver os problemas através do diálogo.
Ele frisou que as restrições definidas pela Argentina a produtos brasileiros não afetarão a meta brasileira de atingir um volume de US$ 100 bilhões em exportações no ano 2002.

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