Ministro vai pedir veto ao projeto sobre aborto
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Das agências Campo Grande e Salvador 
Arquivo FolhaO ministro Carlos AlbuquerqueO ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, anunciou ontem, em Campo Grande, que vai pedir o veto do presidente Fernando Henrique Cardoso ao projeto de lei que autoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) a realizar abortos em mulheres vítimas de estupro ou que corram risco de vida. Segundo Albuquerque, a nova lei significa um assassinato. Sou contra o aborto devido à minha formação religiosa, moral e ética profissional e vou pedir o veto dessa lei ao presidente da República, afirmou.
O ministro disse duvidar que o projeto seja aprovado pela Câmara. Albuquerque é católico praticante, segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. Albuquerque esteve em Campo Grande participando da abertura da 5ª Assembléia do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde e da ativação de 35% do Hospital Regional Rosa Pedrossian, que tem capacidade para 450 leitos.
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, admitiu ontem a possibilidade de solicitar aos bispos, párocos e leigos que peçam aos deputados com consciência católica que votem contra o projeto que regulamenta a realização do aborto nos casos previstos no Código Penal.
Vamos ouvir nossas bases e não descartamos a possibilidade de solicitar aos deputados católicos que votem contra o projeto, disse o cardeal em entrevista a duas emissoras de televisão.
O projeto que aprova o aborto na rede conveniada pelo SUS, em caso de estupro e risco de vida à gestante, foi aprovado anteontem pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.
O que eu tenho a dizer é que uma coisa pode se tornar legal, mas vai continuar sendo imoral, disse o cardeal, referindo-se à possibilidade de o Congresso aprovar o projeto do aborto. Na eventual possibilidade de o projeto ser aprovado, dom Lucas Moreira Neves entende que os médicos do SUS que se recusarem a fazer o aborto não devem ser punidos.


