Ministro sugere discutir com a guerrilha novo modelo econômico
Los Pozos, Colômbia, 28 (AE-AP) - O governo do presidente Andrés Pastrana e o maior grupo guerrilheiro do país devem negociar um novo modelo econômica para a Colômbia, descartando o dogmatismo das escolas econômicas, declarou hoje (28) o ministro do Planejamento colombiano, Mauricio Cárdenas.
"Necessitamos de um modelo colombiano, que seja construído sobre as bases de nossos êxitos e fracassos, sem o extremismo dos modelos socialista ou neoliberal (...)", disse Cárdenas à Associated Press, depois de ter apresentado, ontem, a negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) uma radiografia de uma economia em recessão e de suas possibilidades de reativação.
Cárdenas, o principal economista do governo, advertiu, entretanto, que nesse novo modelo deve conter as privatizações e os investimentos estrangeiros, que para a guerrilha significam o massacre da maioria e um grande negócio para a minoria, em detrimento dos interesses do Estado.
"As privatizações têm uma razão de ser: há uma infra-estrutura que será mais eficiente se administrada pelo setor privado, e poderá liberar recursos que o Estado pode investir em outros setores onde ninguém investe nem pode substituir o Estado como a eletrificação, a telefonia e as estradas vicinais das áreas rurais", explicou Cárdenas.
"Temos que criar um clima favorável ao investimento, independentemente do dogmatismo, como se faz em Cuba, na China ou na Rússia, porque sem investimentos não há crescimento", acrescentou o ministro.
O Consejo Gremial, que reúne os principais empresários do país, exortou ontem o governo e a guerrilha a iniciar negociações de paz incluindo temas econômicos e solicitaram às Farc para que apresentem "qual sua percepção do país e qual seu modelo econômico".
Até agora, as Farc afirmam que não abandonou seu modelo socialista, que inspirou a formação do grupo há 36 anos. Na semana passada, a guerrilha manifestou durante uma reunião com o ministro da Fazenda, Juan Camilo Restrepo, que sua maior preocupação é com a explosão do desemprego que, segundo números oficiais, está atualmente em 18,1%.





