Ministro sugere bioprospecção contra biopirataria na Amazônia
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 14 (AE) - O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, afirmou hoje que o País não tem capacidade operacional para controlar a evasão de recursos biogenéticos da Amazônia. Segundo ele, a apropriação desses recursos pode significar uma economia de cerca de 80% nos custos necessários para o desenvolvimento de um único medicamento. "Para compensarmos essa perda, só vejo uma saída: contrapor à biopirataria a bioprospecção", propôs o ministro.
Na avaliação de Sarney Filho, conhecer e explorar os próprios recursos é a única forma de diminuir o impacto da biopirataria. "Nossa posição é muito frágil, não dispomos de regulação do setor nem de investimento suficiente no desenvolvimento de tecnologias", disse. "Somente por meio do conhecimento poderemos obter o domínio sobre os nossos recursos, sobre o nosso valiosíssimo patrimônio genético", afirmou. O ministro participou hoje do seminário Amazônia - A Cobiça Internacional, promovido pela Escola Superior de Guerra (ESG).
Para tentar reduzir o impacto da biopirataria, o ministro afirmou que os esforços são no controle da coleta, da remessa e da pesquisa de material genético. "É uma forma de tentar diminuir, ainda que provisoriamente, a sangria de nossos recursos genéticos, enquanto aguardamos a aprovação, pelo Congresso Nacional, da lei que disciplinará o acesso a esses recursos."
Sarney Filho se mostrou otimista ao falar das ações do ministério. Segundo ele, a regulamentação da lei que prevê multas de até R$ 50 milhões para quem produz queimadas vem dando resultados positivos. "No Mato Grosso, cerca de 40% das madeireiras estão fechando as portas", disse. "Tenho certeza de que quando forem medir novamente o ritmo do desmatamento, vão comprovar que ele está bem mais lento." A devastação na região, que atingia apenas 3% de sua cobertura vegetal na década de 70, saltou para 13% nos últimos vinte anos.


