O ministro da Saúde, José Serra, defendeu ontem a política de estímulo à importação de medicamentos genéricos como forma de vencer as resistências no país em produzir, comercializar e até receitar esses produtos.
‘‘Há resistência dos laboratórios nacionais em produzir genéricos e do mercado varejista em comercializá-los porque a margem de lucro é menor (em relação aos remédios de marca). E há resistência dos médicos em receitar genéricos’’, disse Serra ao depor na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Para o ministro, a importação é ‘‘estratégica’’ e tem como objetivo forçar a indústria nacional a produzir os medicamentos genéricos.
Pelo regime especial implantado pelo governo, a empresa importadora tem um prazo para começar a produzir o medicamento genérico no País.
Atualmente, os genéricos são 40% mais baratos do que os produtos de marca porque é eliminada a propaganda.
Segundo ele, enquanto a relação de comercialização de medicamentos no Brasil se mantém mais ou menos estável (1,5 bilhão de unidades farmacêuticas vendidas em 1990 e 1,6 bilhão, em 2000), os preços subiram mais do que o dobro no mesmo período.
O ministro afirmou que o consumo de genéricos no Brasil corresponde a 5% do total. Dos genéricos consumidos no País, de acordo com Serra, apenas 2% são importados. Ele disse que o consumo de genéricos pode chegar a 40% do total de remédios vendidos no País.
‘‘Somos obrigados a importar porque há resistência do mercado nacional em produzir.’’ A importação complementa a oferta e estimula a produção nacional, segundo ele.

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