Ministro russo diz que já tem "pistas" de brasileiro
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 18 (AE) - O ministro do Interior da Rússia, Vladimir Rubaylo, informou ao governo brasileiro que as autoridades policiais russas já têm "pistas" sobre o paradeiro do enfermeiro da Cruz Vermelha Geraldo Cruz Pires Ribeiro, que foi sequestrado no último sábado por três homens, na cidade de Naltik, no território da região autônoma de Kabardino-Balkaria. Vladimir Rubaylo recebeu em seu gabinete, hoje (18), a embaixadora brasileira Terezha Quintella e o embaixador da Nova Zelândia, John Larkindale. Geraldo Cruz tem dupla nacionalidade.
A embaixadora Terezha Quintella considerou positivas algumas informações que recebeu do ministro Vladimir Rubaylo. A primeira é que o brasileiro não teria sido levado para a Chechênia, território onde várias autoridades militares, que poderiam ajudar na investigação, fazem oposição ao governo russo. Geraldo Cruz teria sido levado para uma área de cadeia de montanhas dentro do próprio território de Kabardino-Balkaria. "É uma área sobre a qual as autoridades russas têm total controle", disse a embaixadora, "e não é uma área muito extensa".
O ministro russo preferiu, na reunião com os embaixadores, não dar muitos detalhes sobre as investigações, para evitar que isso atrapalhe no resgate do brasileiro. A embaixadora Terezha Quintella afirmou que saiu segura de que as autoridades da Rússia já têm informações sobre o local preciso para onde teria sido levado o brasileiro e que esta informação não foi disponibilizada. "Acho que o ministro sabe mais do que nos disse", afirmou a embaixadora.
A reunião de hoje, que durou mais de 50 minutos, segundo a embaixadora, teria reforçado a posição do governo brasileiro em favor de uma solução o mais urgente possível para o caso.
Terezha Quintella afirmou que até então o governo russo estava tratando a questão como sendo de um sequestro de um neozelandês. Ao receber os dois embaixadores, o ministro russo ficou sabendo que Geraldo Cruz tem dupla nacionalidade e que sua localização interessa a governos de dois países.
O que também animou os dois embaixadores é que as primeiras pistas mostram que Geraldo Cruz não teria sido sequestrado por grupos políticos que defendem a independência da Chechênia, mas por "grupos criminosos" que têm interesse em levantar recursos
a partir de pedidos de resgate. "A minha impressão é que estão tomando providências", disse. Em Brasília e em Juiz de Fora (MG), a família de Geraldo Cruz aguarda ansiosa o desfecho do caso.


