Lisboa, 28 (AE) - Portugal deixou de ter agentes secretos no seu serviço de inteligência militar. Não foi uma decisão política, mas um engano do ministro da Defesa. Esta semana, quando o ministro José Veiga Simão enviou para o parlamento esclarecimentos para uma CPI sobre o sistema de informações, incluiu uma lista com todos os 69 agentes secretos portugueses. O caso gerou um escândalo nacional e hoje (28) o ministro foi forçado a demitir-se.
O nome dos agentes secretos foi enviado ao parlamento junto com um relatório para uma CPI sobre o Serviço de Informações Estratégicas e de Defesa Militar - um dos serviços secretos portugueses. A CPI foi criada depois que o antigo dirigente do serviço secreto militar ter pedido demissão, em outubro do ano passado, depois de recusar uma incumbência do ministro: investigar os chefes dos três ramos das forças armadas portuguesas.
A lista torna fácil de identificar os agentes. Revela o nome, formação, onde foi recrutado e o salário dos agentes. Os nomes encontram-se divididos pelas regiões do mundo em que atuam. O relatório, que recebeu em cada página um carimbo de confidencial antes de ir para o parlamento, também revela as operações secretas nas quais os espiões portugueses participaram.
Entre as operações divulgadas estão as realizadas durante a insurreição militar na Guiné-Bissau, na guerra civil em Angola e atividades em relação aos timorenses na Austrália. Segundo as informações divulgadas, os serviços secretos militares portugueses não têm nenhum espião no Brasil.
Hoje, três jornais publicaram em primeira página a existência da lista. O semanário Independente divulgou um fac-símile da lista, com os nomes rasurados - apenas se pode ler os outros dados.
Inicialmente, o ministro da Defesa tentou se defender, dizendo que era vítima de uma campanha orquestrada pela oposição, que teria revelado a lista dos agentes. Num comunicado divulgado no fim da manhã, afirmou que estava sendo alvo de uma campanha orquestrada contra o seu bom nome. Nessa altura, seu porta-voz, Vasco Collares Pereira, disse que ele não iria se demitir, justificando o envio da lista ao parlamento: "Ele agiu de boa fé. Quis mostrar que não tem nada a esconder sobre o serviço de informações militares".
No fim da tarde, o nome do novo ministro da Defesa foi anunciado. Será o atual ministro das Relações Exteriores português, Jaime Gama, que vai acumular os dois cargos.

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