Ministro reúne-se amanhã com secretários de Educação de todo País
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 03 (AE) - Os secretários de Estado da Educação empossados em janeiro terão amanhã seu primeiro encontro com o ministro Paulo Renato Souza. Na reunião, proposta pelo ministro, os dirigentes do Ministério da Educação (MEC) vão apresentar aos secretários os programas desenvolvidos pelo governo nos últimos quatro anos e as metas estabelecidas para a atual gestão. "Vamos expor a política do MEC", resumiu hoje Paulo Renato.
Mais do que uma simples troca de informações técnicas, no entanto, o encontro marca o primeiro contato de Paulo Renato com os secretários dos sete governos de oposição (MG, RJ, RS, MS, AC, AL e AP) ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, além de opositores políticos, o ministro terá de conviver até 2002 com secretários expressivos no meio educacional, como o ex-ministro da Educação no governo Collor Eraldo Tinoco (BA) e o presidente do Conselho Nacional de Educação, Éfrem Maranhão (PE).
Os Estados têm autonomia para definir as regras dos seus sistemas de ensino e são responsáveis pela aplicação de diversos programas e diretrizes do MEC. "Os programas do ministério são feitos com os governos estaduais", observou Paulo Renato, que, ao marcar a reunião de amanhã, antecipou-se ao primeiro encontro do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), nos dias 25 e 26, para a escolha da nova diretoria. Afinados - Se, nos últimos quatro anos, o Consed atuou na mesma linha do MEC, a expectativa é que a relação deixe de ser tão afinada a partir de agora. O exemplo do secretário de Minas, o ex-ministro da Educação Murílio Hingel, foi sintomático: em seu primeiro mês no governo, Hingel recomendou o fim da divisão em ciclos do ensino fundamental no Estado, sistema aprovado pelo MEC. Na Bahia, Tinoco já declarou que vai avaliar os ciclos e admite suspendê-los.
"A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) favorece a idéia dos ciclos, mas isso é uma decisão que cabe aos Estados", esquivou-se o ministro, que considera positivo o fim da repetência entre as séries que compõem cada ciclo. "A repetência é a pior coisa que existe", afirmou ele. Paulo Renato, no entanto, disse que não espera enfrentar problemas com o novo Consed: "Nossa relação vai continuar muito boa", arriscou.
Às 9 horas, o ministro faz o discurso de abertura da reunião. A seguir, cinco dirigentes vão manter encontros a portas fechadas com os secretários, o que deve se repetir sexta-feira. Na pauta, estão o sistema de avaliação coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a expansão do ensino médio (antigo 2.º grau), o financiamento do ensino fundamental (antigo 1.º grau) e o ensino superior, além de programas específicos como o TV Escola.


