Brasília, 02 (AE) - O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, anunciou hoje que está negociando com o Palácio do Planalto a liberação de R$ 17 milhões para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) possa reforçar o combate aos incêndios no País. Sarney Filho prometeu ainda apresentar, nos próximos 20 dias, a regulamentação da Lei de Crimes Ambientais. A demora na regulamentação foi uma das críticas feitas ontem (01) pelo diretor-executivo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Garo Batmanian a atuação do governo em relação ao grande número de incêndios registrados no Brasil.
Ao rebater as críticas do representante da WWF, em tom irônico, o ministro disse que o governo não é responsável pela "secura" no Brasil. Para a ONG, a "inércia" do governo é a maior responsável pelas queimadas e incêndios no País. "Eu não sabia que o governo agora é responsável pela secura no Brasil", disse. "Acho que nosso amigo Garo (WWF) exagerou". O ministro também não gostou das críticas sobre a demora do governo em regulamentar a Lei dos Crimes Ambientais, sancionada em fevereiro do ano passado. A lei, que aumenta a multa máxima por crime ambiental de R$ 4,9 mil para R$ 50 milhões, na avaliação de Sarney Filho, "não faria muita diferença". Ele acredita que este é um problema "cultural" e que a responsabilidade pelos incêndios e queimadas é de toda a sociedade.
O ministro chamou de "criminosos" agricultores e fazendeiros que estariam colocando fogo na Serra da Bodoquena (MS) e garantiu que os grandes incêndios em parques nacionais deverão ser debelados nas próximas 48 horas. O governo não acredita que a situação esteja fora de controle. Levantamento do ministério detectou 30 mil focos de calor no Brasil, somente em agosto, contra 33 mil focos no mesmo período de 1998. Hoje, Sarney informou que o fogo deverá ser "debelado" no Parque Nacional da Serra dos àrgãos (RJ) e no Parque Nacional da Ilha Grande, no Paraná.
Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e da agência espacial americana (Nasa) sobrevoaram a Serra da Bodoquena. A primeira constatação, segundo o MMA, é de que não existe o chamado "incêndio florestal" (na vegetação nativa), mas queimadas criminosas, feitas por fazendeiros que estariam tentando ocupar novas áreas. "É uma ação criminosa de fazendeiros e agricultores", acusou. "Vamos pegar os irresponsáveis e bandidos". O Ibama enviou hoje fiscais à Serra da Bodoquena para tentar localizar e multar fazendeiros criminosos.
Sarney Filho também acredita que o fenômeno climático La Niña está contribuindo para dificultar a situação. Segundo disse
a umidade relativa do ar média está mais baixa que em anos anteriores. "A situação climática é mais adversa que no ano passado". A situação no Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, disse o ministro, agrava-se este ano em razão das queimadas que estariam sendo provocadas em países que fazem fronteira com o Brasil. "Muita fumaça vem do Paraguai e da Bolívia". Ele insiste que os incêndios não ocorrem só no País. "A Califórnia está pegando fogo".
Sarney Filho pretendia aproveitar a reunião de ministros no Planalto à noite para discutir queimadas, além do Plano Plurianual de Investimento. Hoje, Sarney Filho entregou ao primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Heráclito Fortes (PFL-PI), projeto de lei criando a Agência Nacional de águas (ANA), que vai gerenciar os recursos hídricos no País.

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