Ministro quer reverter prejuízo causado a Foz
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De Brasília 
O ministro da Justiça, José Gregori, determinará a apuração de declarações de autoridades brasileiras levantando supeita de ligações de residentes de Foz do Iguaçu com o terrorismo. O objetivo é tentar reverter prejuízo econômico já causado à cidade, que vive do turismo e se considera hoje discriminada pelo fato de abrigar cerca de 12 mil integrantes e descendentes da colônia árabe. Ontem o prefeito do município, Celso Samis da Silva, esteve com o ministro Gregori para pedir apoio.
''Uma cidade inteira está sendo vítima de uma campanha discriminatória, quando não há nenhum fato concreto ou potencial que justifique essas suspeitas'', afirmou o ministro da Justiça, para quem está ocorrendo uma ''caça às bruxas'' em Foz do Iguaçu. De acordo com o prefeito, foram canceladas 50% das reservas feitas por turistas que procuram a cidade principalmente para conhecer as cataratas. A solução encontrada para tentar reaquecer a economia local foi baratear os pacotes turísticos.
O ministro José Gregori explicou que, assim como em todo o País, foi aumentada a vigilância na região depois dos ataques terroristas nos Estados Unidos. Mas ressaltou que ''o governo não vai admitir nenhum tipo de discriminação.'' Gregori contou que foram recebidas muitas denúncias em relação à cidade. ''Mas começamos a perceber que muita gente queria acertar contas pessoais e políticas, com denúncias infundadas.'' De acordo com Gregori, a cada declaração de autoridade, o ministério vai entrar em contato com quem falou e saber o motivo de não ter sido usado o canal institucional e diplomático.
Recentemente, o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai criaram um comitê antiterror para a troca de informações sobre possíveis ações terroristas nestes países. Foz tem a segunda maior mesquita do País, mas também o maior templo budista, lembrou o ministro. ''Quando se esperava que a cidade fosse conhecida pela coexistência pacífica de etnias e religiões, ela passa a ser vítima de uma campanha absurda.''


