Ministro quer R$ 1 bilhão para meta de assentamento
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília - O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, está envolvido em uma queda-de-braço com o da Fazenda, Antonio Palocci, pela posse de R$ 1 bilhão. Rossetto já comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que precisa do dinheiro para cumprir a meta de assentar 60 mil famílias no campo neste ano.
Consultado por Lula sobre a possibilidade de liberar o dinheiro, o ministro da Fazenda respondeu que isso é impossível. A não ser, acrescentou Palocci, que sejam criadas fontes de custeio para a verba da reforma agrária. O diálogo ocorreu na semana passada, durante a reunião entre Lula, os dois ministros, os três líderes do governo no Congresso - senadores Amir Lando (PMDB-RO) e Aloizio Mercadante (PT-SP) e o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) - e a cúpula do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Foi nessa reunião que Lula vestiu o boné do MST e causou uma das maiores polêmicas de seu governo.
Os sem-terra deixaram o encontro dizendo que o presidente Lula havia firmado o compromisso de fazer a reforma agrária. Pediram que sejam assentadas 120 mil famílias, o que exigiria R$ 2 bilhões. Rossetto, em seguida, disse que o governo mantém a meta de assentar 60 mil famílias. Não disse como, já que não tem o dinheiro. Falou vagamente em fazê-lo em terras públicas que serão retomadas pela União de devedores da Previdência e de outras entidades federais.
De fato, com o dinheiro que Rossetto tem dá para assentar apenas 11,3 mil famílias, o que atenderia 22% da meta de 2003. O Orçamento deste ano do ministério previa R$ 462 milhões para a obtenção de terras, mas o limite imposto pela equipe econômica só permite que sejam usados R$ 162 milhões, entrando aí até os restos a pagar de 2002. De acordo com levantamento do próprio ministério, nos seis primeiros meses do ano o governo assentou 4.810 famílias em 241 mil hectares e utilizou 11% dos recursos previstos na lei orçamentária em desapropriações.


