O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, defendeu ontem, no Rio, a discussão entre governo e sociedade sobre a questão da cobrança de mensalidade em universidades públicas do País.‘‘Esse é um tema que está sendo debatido em todo o mundo e que precisa ser discutido no Brasil, especialmente à luz do pronunciamento do diretor da Unesco’’, disse Paulo Renato. Na quinta-feira, o diretor-geral do Unesco, Federico Mayor, defendeu, na Conferência Mundial sobre Ensino Superior da entidade, que estudantes ricos paguem mensalidades como forma de democratizar o acesso às universidades públicas.
‘‘É preciso que encontremos novas formas de financiar a universidade’’, declarou o ministro. Ele ressaltou, porém, que o mais importante para o governo hoje na área do ensino superior é resolver a questão da autonomia universitária. ‘‘Nada será feito sem uma ampla discussão, mas eu sinto que na sociedade brasileira há vários segmentos que já procuram esse debate da cobrança de mensalidade ’, disse Paulo Renato.
‘‘Nunca se esperará financiar a toda a universidade pública a partir da mensalidade, mas há um custo que pode ser pago’’. O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Henrique Vilhena, é contra a proposta de cobrança de mensalidades. ‘‘Em todos os setores qualificados e desenvolvidos as universidades são financiadas pelo Estado’’, disse Vilhena. ‘‘Sou radicalmente contrário à cobrança, mas é necessário um projeto de universidade que justifique o investimento’’, ressaltou.
Paulo Renato fez questão de dizer que a proposta ainda não faz parte do projeto de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Depois de equacionar a questão do ensino fundamental, agora temos que implementar a reforma do ensino médio, ampliar o ensino profissionalizante e completar a reforma da universidade’’, declarou.

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