Ministro quer controle na propaganda de bebidas
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sexta-feira, 11 de abril de 2003
Agência Estado 
Curitiba - O ministro da Saúde, Humberto Costa, disse ontem, em Curitiba, que pretende estabelecer uma discussão mais profunda sobre as propagandas de bebidas alcoólicas. ''Não interessa um processo que quebre o setor de publicidade no Brasil, mas não podemos deixar como está'', afirmou. ''A idéia é fazer com que as bebidas com baixo teor de álcool sejam encaradas como bebidas alcoólicas, com publicidade em determinados horários e sob algumas condições.''
Segundo ele, as legislações referentes à propaganda de cigarro e bebida alcoólica caminhavam juntas até determinado momento. Enquanto a de cigarro ficou mais rígida, a de bebida restringiu-se apenas às graduações alcoólicas mais altas e a um recado para consumir com moderação. ''O lobby da indústria de bebidas foi mais forte'', acentuou.
Na opinião do ministro, quem toma cinco ou seis copos de cerveja fica tão embriagado quanto quem toma duas ou três doses de uísque. ''O teor alcoólico não pode ser a referência'', disse.
Costa disse que precisa ser levado em conta o ''crescimento significativo'' no número de adolescentes que fazem uso do álcool, enquanto nas famílias as maiores preocupações continuam sendo com a maconha e a cocaína. ''A bebida alcoólica tem sido fonte geradora de acidentes de trânsito e um dos componentes mais presentes nos casos de violência entre vizinhos ou mesmo familiares, entre si'', afirmou.
O ministro pretende ainda ampliar a discussão sobre a questão do cigarro. ''Avançamos na publicidade, mas não avançamos em outras áreas, como na questão da taxação do preço do cigarro'', acentuou. Segundo ele, o Brasil é o quinto país do mundo onde o cigarro é mais barato. ''Se a gente não fizer com que o cigarro seja caro, as pessoas continuarão fumando e os gastos públicos com as consequências do cigarro vão aumentando'', alertou.


