Ministro pede protestos a estudantes
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quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Iuri Dantas<br> Agência Folha 
Brasília - O ministro da Educação, Cristovam Buarque, pediu ontem que estudantes façam passeata até o Congresso durante a votação do Orçamento em outubro. ''Vamos fazer uma caminhada até o Congresso para pressionar os deputados a dar mais dinheiro para a educação'', disse o ministro, para uma platéia de cerca de 400 alunos do ensino médio.
Há cerca de três meses, o ministro foi repreendido pelo Planalto por ter reclamado publicamente da falta de dinheiro Cristovam diz que são gastos R$ 54 bilhões anuais em educação básica, mas que seriam precisos mais R$ 25 bilhões. Ontem, em entrevista à rádio CBN, recomeçou as críticas e pedidos de aumento de recursos.
A idéia da ''caminhada'' surgiu quando Cristovam respondia a uma pergunta de Hassadan Lais, 18, aluna do terceiro ano, que disse se sentir de mãos atadas para melhorar a educação no país. ''Suas mãos estão atadas, mas seus pés, não'', disse a ela. Lais, que votou em Anthony Garotinho (PMDB, ex-PSB) para a Presidência, demonstrou não ter gostado da resposta do ministro. ''É o meu futuro que está em jogo. Não é passeata que vai resolver'', afirmou.
Após cerca de uma hora e meia de bate-papo com os alunos, Cristovam diminuiu o tom e tentou mudar o enfoque do pedido por verba em entrevista. Questionado sobre a convocação para a passeata, o ministro disse que ''primeiro, isso faz parte da educação cívica''. ''Segundo, porque se não lutarmos para que se mantenha, no Congresso, o dinheiro que o governo mandou, é capaz de ter emendas lá de outros setores tirando.'' As ''empreiteiras'' representariam um dos outros setores.
O ministro participou de um bate-papo com os estudantes promovido pela Fiat, para divulgar um concurso de literatura. Ele encerrou a conversa minimizando a demora do governo em promover mudanças na educação. ''Ainda dá para dar desculpa, não é? Oito meses, coisa e tal, blablablá, o Orçamento ainda é importado. Mas a gente vai ter que responder. A gente não veio aí apenas para manter como está.''
Quando tentava deixar a escola, Cristovam foi abordado por Marcia Alves Ferreira, 57 anos, que se disse professora aposentada de língua portuguesa. Ela perguntou como é possível haver escolas sem papel higiênico. O ministro, tentando se desvencilhar dela, afirmou que a responsabilidade por manter as escolas é estadual.
Após criticar a escassez de recursos para os alunos, Cristovam afirmou, em entrevista a jornalistas, que não estava reclamando ou pedindo mais dinheiro. A fórmula, aparentemente contraditória, foi definida assim pelo ministro: ''Ao longo das próximas décadas, se queremos de fato ficar igual à Coréia, à Irlanda, à Espanha, vamos ter que colocar mais recursos. Não peço mais dinheiro porque sou do governo e sei que é impossível.''
Sem entrar em detalhes, o ministro afirmou que a ''elite'' deveria pagar de alguma forma o estudo gratuito em universidades mantidas pelo governo. ''Sou um radical da escola pública gratuita, de qualidade e com compromisso social. Se a universidade não tem compromisso social não está cumprindo sua função.''


