Brasília - Numa conversa por telefone, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou quarta-feira ao secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, pedido para isentar os brasileiros do US-Visit, novo sistema de identificação de estrangeiros. O ministro deixou claro que a decisão de fichar os americanos que desembarcam no Brasil foi da Justiça e não dependeu do governo federal.
O ministro Amorim e o secretário Powell conversaram por 40 minutos, ''em tom muito amigável'', segundo relatou o porta-voz do Itamaraty, Ricardo Neiva Tavares. O assunto dominante foi a reunião de Cúpula Extraordinária da América, que ocorrerá nos dias 12 e 13 em Monterrey, no México. Somente no final da conversa é que os dois abordaram o tratamento dado nos portos e aeroportos dos dois países aos cidadãos brasileiros e americanos.
O secretário Powell mencionou a lentidão na coleta de dados dos americanos que entram no território brasileiro e manifestou ''interesse em uma solução rápida para o assunto''. O ministro Amorim explicou a Powell que o fichamento dos americanos começou com a decisão judicial tomada em 30 de dezembro e que só agora, nos primeiros dias do ano, o Poder Executivo começou a analisar detalhes do assunto e de suas implicações. Ambos não adiantaram iniciativa que seus próprios governos possam adotar para resolver o problema, mas se comprometeram a continuar discutindo o assunto.
O procurador da República, José Pedro Taques, deve ingressar com nova ação na Justiça Federal para garantir o efetivo cumprimento da decisão do juiz federal Julier Sebastião da Silva, que determinou a identificação dos americanos que desembarcam no Brasil. A ação do Ministério Público acolhida pela Justiça visa obrigar o governo brasileiro a promover gestões para excluir os brasileiros do US-Visit, novo sistema de identificação de estrangeiros. Até lá, os turistas americanos receberão tratamento idêntico, prevê a sentença.
Segundo Pedro Taques, a medida tomada pode dar mais respaldo à decisão do juiz, que poderá solicitar o aumento do efetivo da Polícia Federal para acelerar e aperfeiçoar o processo de identificação e reduzir as filas nos portos e aeroportos brasileiros. ''Estou só estudando a ação, mas a liminar está sendo cumprida'', adiantou Taques, sem entrar em detalhes.
O juiz que acolheu ação do Ministério Público disse hoje que só irá suspender a decisão de fichamento dos americanos que desembarcam no Brasil caso os Estados Unidos também adotem o mesmo procedimento com os brasileiros que chegam àquele país.
Apesar da decisão judicial de identificar todos os americanos que desembarcam nos aeroportos internacionais do País, a Polícia Federal (PF) do Rio teria liberado ontem alguns deles de serem fotografados e deixarem as impressões digitais. O descumprimento da ordem seria uma forma de evitar tumultos, já que 449 turistas dos Estados Unidos que chegaram ao Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim iam para um cruzeiro. A PF nega e informou que todos os cidadãos dos EUA continuam sendo fichados. Até o fim da tarde, foram 509. O tempo médio de espera foi de 30 minutos.

mockup