Arquivo FolhaMoralizaçãoO ministro Carlos César Albuquerque quer livrar-se dos escândalos de compras superfaturadasDecidido a livrar-se dos escândalos de compras superfaturadas que atormentaram alguns de seus antecessores, o ministro da Saúde, Carlos César Albuquerque, determinou a adoção de auditoria prévia em todas as grandes licitações do ministério. Pelo menos 15% do orçamento de R$ 20,3 bilhões deste ano serão destinados à aquisição de vacinas, medicamentos e inseticidas. A previsão é de que a medida poderá reduzir em até 50% os preços oferecidos por fornecedores.
O ministério quer garantir a lisura nos processos de licitação e concorrência e, ao mesmo tempo, obter nas compras oficiais preços compatíveis com os de mercado. A portaria criando a auditoria prévia já foi publicada. A chefia de gabinete do ministro está agora concentrada no esforço de montar em no máximo seis meses um banco de preços, pelo qual será possível ter acesso a informações de compras realizadas pelos mais de dez hospitais ainda sob direção do ministério e por instituições privadas, além dos preços cobrados no mercado.
‘‘O cruzamento dessas informações permitirá saber quem comprou por preço menor e comparar o valor àquele que está sendo oferecido ao ministério’’, explicou Alceu Alves da Silva, chefe de gabinete. A intenção, segundo ele, é acabar com a cultura de que o serviço público é um ótimo negócio para os fornecedores, que sob a justificativa de atraso no pagamento costumam compensar a demora com o preço. ‘‘Com o banco de preços, poderemos negociar e até cancelar um processo de compra caso seja detectado preço maior do que o condizente.
No ano passado, segundo o subsecretário de Assuntos Administrativos do ministério, Januário Montone, a Central de Medicamentos (Ceme) gastou R$ 250 milhões em compras. No começo deste ano, R$ 31 milhões foram comprometidos com a aquisição de medicamentos para doentes de Aids. Na Fundação Nacional de Saúde (FNS) foram adquiridos R$ 14 milhões em inseticidas e outros R$ 40 milhões em vacinas. ‘‘Como os valores são muito altos, é melhor que se garanta antecipadamente a boa compra, para não termos que recuperar o prejuízo depois’’, argumentou Montone.
O subsecretário explicou que o Grupo Hospitalar Conceição adotou a auditoria prévia há alguns anos, e já conseguiu reduzir em mais de 40% seus gastos, por causa da redução de preços.

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