Ministro negro do TST diz que racismo é velado no Brasil
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Denise Lacerda (especial para a AE) 
Florianópolis, 10 (AE) - O ministro Carlos Alberto Reis de Paula, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), esteve em Florianópolis hoje para participar do Curso de Atualização em Direito e Relações Sociais, promovido pelo Núcleo de Estudos Negros (NEN). Primeiro negro a assumir um cargo de ministro no TST, Paula revelou que, em 20 anos, nunca julgou um processo onde a alegação fosse racismo. "A discriminação no Brasil ainda se manifesta de forma muito velada."
O mais grave, segundo o ministro, é que não há uma consciência da discriminação. Ele lembra que, somente a partir da Constituição de 1988, é que houve uma "acentuada busca" pelo reconhecimento dos direitos humanos no Brasil. "Historicamente, ainda estamos muito incipientes", disse.
Para o ministro, o curso, que, entre outros temas, debateu estratégias de combate ao racismo com advogados e professores americanos, resulta em troca de experiência e tomada de consciência. "Os Estados Unidos nos dá o exemplo de como tornar o Direito em instrumento adequado no combate ao racismo"
afirma.
A primeira vez que um tribunal superior no Brasil se manifestou sobre discriminação racial foi em relação a um caso ocorrido justamente em Florianópolis. Depois de ser demitido por racismo em 1992, o técnico em eletrônica da Centrais Elétricas do Sul do Brasil (Eletrosul), Vicente Francisco dos Santos, foi reintegrado ao quadro da empresa em 1995, após decisão inédita do TST.


