O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, começou a negociar a descentralização da reforma agrária e obteve o apoio dos governadores do Centro-Oeste para implantação do novo sistema em três anos. Os governadores, no entanto, não pretendem ser mais rigorosos na desocupação policial de prédios e terras invadidos, um dos objetivos da descentralização. Jungmann intermedia negociação no governo para elevar de 10% para 30% o percentual do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) para a reforma agrária.
‘‘Começamos hoje (ontem) a enterrar o modelo centralizado da reforma agrária’’, disse Jungmann, após o encontro. O governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), afirmou que a descentralização é uma proposta oportuna e permitirá maior desenvolvimento da região que, segundo ele, tem o maior estoque de terras para plantio.
O governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos (PT), disse que vai implantar o novo sistema o mais rapidamente possível. ‘‘Com 10% dos recursos que o Jungmann anunciou aqui eu faço a reforma agrária no Estado’’, disse o governador. Zeca do PT afirmou que há mais de 12 mil acampados no Estado.
Apesar de assumir a descentralização da reforma agrária, os governadores deixaram claro que não pretendem ser mais rigorosos na desocupação de prédios públicos. ‘‘Nunca botei e nunca vou botar polícia em cima de sem-terra, vou esgotar o diálogo’’, disse o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB).

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