Ministro lança operação na Amazônia
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Agência Estado De Tabatinga 
O ministro da Justiça, José Gregori, lançou ontem em Tabatinga, na Amazônia, a Operação Cobra, que visa o combate pela Polícia Federal (PF) ao narcotráfico e à guerrilha na região de fronteira do Brasil com a Colômbia. Além de sete bases nas guarnições do Exército, a PF montou com a Aeronáutica um Grupo Tático de Patrulhamento Aéreo para controlar o tráfego de aviões na área. A operação prevê o recrutamento de informantes e colaboradores, a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de suspeitos, e uma intensa vigilância de pessoas envolvidas com o narcotráfico e a guerrilha.
Nesse trabalho, a PF utilizará helicópteros e aviões de pequeno porte, explica o coordenador da Unidade de Projetos Especiais da PF na Amazônia, Mauro Spósito, um dos responsáveis pela Operação Cobra. A polícia vai trabalhar com a ajuda de imagens de satélites para identificar pistas de pousos clandestinos na Amazônia, utilizadas para reabastecimento de aviões e descarregamento de drogas pelos traficantes.
Todas as guarnições do Exército que hoje se estende de Cruzeiro do Sul, no Acre, até Pacaraima, em Roraima serão utilizadas na execução da operação. A idéia é fechar toda a fronteira para evitar que o Brasil se torne santuário ou refúgio de traficantes e guerrilheiros que estejam fugindo da Colômbia, por causa das operações de combate ao narcotráfico naquele país.
O diretor-geral da PF, Agílio Monteiro, disse que agentes federais vem coletando amostras de águas dos rios da região para detectar uma possível contaminação de produtos químicos. Além disso, segundo ele, a PF intensificou o controle de entrada de estrangeiros na fronteira. O trabalho está sendo realizado para evitar uma migração em massa para o Brasil com o início do Plano Colômbia.
Vamos apertar o cerco em toda a fronteira, disse o diretor-geral da PF. Agílio Monteiro, acrescentando que com atuação da PF será possível impedir uma migração em massa. Agílio explicou, ainda, que na operação a PF intensificará suas ações principalmente nas áreas de influência dos rios Içá-Putumayo, Jaupurá-Caquetá, Waupés-Vaupés, e Negro, que nascem na Colômbia e deságuam em território brasileiro. Os rios são usados habitualmente para o transporte de drogas.
A PF fará, também, uma investigação sobre a atuação de seitas que atuam na região. Um dos alvos será a Associação Evangélica da Missão Israelita do Novo Pacto Universal, com atuação em vilarejos peruanos às margens dos rios Javari e Solimões, nas imediações de Tabatinga, suspeita de fornecer armas contrabandeadas do Peru para grupos paramilitares que atuam na região. Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abim) indicam que a seita, com cerca de 5 mil seguidores na região, contrabandeia armas.


