Teodoro Sampaio, SP - O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, considerou natural a formação de acampamentos no Pontal do Paranapanema e garantiu que as famílias acampadas na região terão prioridade na reforma agrária. ''Quem está indo para os acampamentos é o cidadão que quer trabalhar.'' Ele disse que até setembro devem estar disponíveis 100 mil hectares de terras devolutas para assentar as famílias.
Indagado se a migração de pessoas da cidade para os acampamentos não vai gerar uma falsa demanda para a reforma agrária, alertou que essas pessoas não devem ser tratadas com preconceito. ''Todas são famílias que buscam trabalho e condições de sobrevivência, buscam no acampamento a possibilidade do emprego.''
A região tem 8.500 famílias vivendo em 27 acampamentos, a maioria instalada nos últimos meses. ''Vamos assentar aquelas que estão há mais tempo sob a lona.''
O ministro participou de encontro organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para discutir a reforma agrária na região. Os 32 prefeitos foram convidados, mas apenas três compareceram. O evento fez parte das comemorações dos 13 anos de atuação do MST no Pontal.
Segundo Rossetto, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) inicia nos próximos dias a revisão dos cadastros na região. As famílias acampadas também serão cadastradas. O ministro informou que em todo o Brasil existem 700 mil famílias nos cadastros do governo, mas o número não é incompatível com o volume de terras que podem ser utilizadas para a reforma agrária. ''Que bom para o País que tem gente que quer trabalhar a terra.''
Atendendo a pedido das lideranças do MST, o ministro anunciou a liberação de R$ 200 mil para a Cooperativa dos Assentados do Pontal (Cocamp). Serão usados R$ 180 mil para concluir uma agroindústria com laticínio, despolpadeira de frutas, secadora e silos, e R$ 20 mil para assessoria técnica. O pedido de recursos para capital de giro ainda será analisado.
As obras na cooperativa foram paralisadas há três anos após denúncia de desvio de recursos. Até então, tinham sido liberados R$ 2,7 milhões no governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Rossetto, não houve desvio de verbas, mas falhas na execução do projeto que continuam sendo investigadas. ''Deixar uma estrutura dessas parada por tanto tempo é um crime'', afirmou.
A agroindústria deve funcionar em 90 dias. Na festa do MST, com a presença dos principais líderes nacionais, como João Paulo Rodrigues, Gilmar Mauro e Delwek Matheus, o presidente do Incra, Marcelo Resende, foi o único integrante do governo a aceitar o boné oferecido pelos anfitriões. O ministro aceitou o boné mas não o pôs sobre a cabeça.
Chamando os militantes do movimento de ''nossos companheiros'', Resende prometeu ''luta sem trégua'' contra o latifúndio improdutivo. ''Não vai faltar recursos do Incra para arrecadar as terras griladas'', disse, sob o coro da platéia de ''MST, a luta é pra valer''.

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