Agência Estado
De Brasília
O número de invasões de terra no Brasil caiu 71,4% no primeiro bimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Foram 26 ocupações contra 91. Os dados são contestados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), para quem os números são ‘‘fictícios’’. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) concorda com o levantamento, mas ressalta que a redução ‘‘é fruto da violência no campo’’.
Das 26 invasões de terra, 35% foram em Alagoas, 15% no Mato Grosso do Sul, 8% no Paraná e em Pernambuco e 34% no restante do País.
A avaliação do governo é de que a redução do número de invasões estaria associada ao maior número de assentamentos em comparação com governos passados. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, a tendência é ‘‘mais pressão’’ sobre o governo para o aumento do volume de crédito e por assistência técnica.
Para o MST, o anúncio sobre redução no número de invasões é um contra-ataque do governo às críticas externas sobre a falta de um programa de reforma agrária consistente. Um dos coordenadores nacionais do MST, Roberto Baggio, disse que há no País 71 mil famílias acampadas à espera de terra. ‘‘São números fictícios e manipulados’’, afirmou Baggio sobre as informações do ministério.
O presidente da Contag, Manoel José dos Santos, concorda que houve uma diminuição do número de invasões, mas atribui isso em grande parte à determinação do governo de não desapropriar terras invadidas e à violência no campo.
O MST e Contag estão preparando protesto e ocupações para os próximos dois meses. A Contag espera levar entre 15 e 20 mil trabalhadores rurais ao centro de Brasília na primeira quinzena de maio, em um protesto por mais desapropriação de latifúndios, apoio à agricultura familiar e infra-estrutura nos assentamentos.
O MST pretende fazer 500 ocupações de terras em abril, durante as celebrações dos 500 anos do descobrimento do País. Jungmann convidou o MST a ajudar o governo a emancipar 500 assentamentos e encontrar 500 ‘‘casos de sucesso’’ na reforma agrária.

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