Ministro francês sugere sanções contra a Rússia de Yeltsin Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 30 (AE) - Dificilmente a Rússia vai escapar de sanções da comunidade internacional diante das denúncias cada vez mais evidentes de desvios de créditos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de lavagem de dinheiro de dirigentes do país em paraísos fiscais espalhados pelo mundo e até, segundo investigações conduzidas nos EUA, em bancos de Nova York.
Ainda hoje (30), uma terceira rede de lavagem de dinheiro russo pôde ser identificada - envolve inúmeros homens de negócios desse país que transferiram suas fortunas para o exterior um pouco antes da desvalorização do rublo, em agosto de 1998.
O escândalo russo, envolvendo o próprio presidente Boris Yeltsin, sua família e amigos, não constitui apenas um problema financeiro, mas evoluiu rapidamente, transformando-se num caso político com consequências nos EUA e na Europa, onde se encontram os principais doadores, via órgãos internacionais, da ajuda à Rússia.
Por isso, no fim de semana, o ex-chanceler da França, Hervé de Charette, em carta dirigida ao primeiro-ministro Lionel Jospin, indagou: "Será que a crise que se aprofunda na Rússia justifica a indulgência internacional, incluindo a da França?"
O ex-chanceler pede ao governo que convoque uma reunião extraordinária do G-7 (grupo das sete nações mais industrializadas do mundo) ou do FMI para informar as autoridades russas que a comunidade internacional não continuará permitindo essas práticas delituosas.
Afinal, é o contribuinte dos países industrializados que paga caro pela corrupção. Diversas outras vozes se levantam na França para solicitar a revisão de certos acordos internacionais assinados com a Russia - por exemplo, sua dívida com o Clube de Paris, renovada recentemente em condições excepcionais para os russos.
Tal atitude corresponderia a manter Moscou de castigo durante algum tempo, congelando a liberação de parcelas dos créditos até que tudo seja devidamente apurado. Seria uma posição diversa da que prevaleceu até agora, em que países como os EUA e também membros da União Européia sempre incentivaram o FMI e o Banco Mundial a liberar as verbas para a Rússia. Isso em nome, entre outras coisas, da ameaça nuclear russa, que, mesmo hoje, ainda preocupa Washington.
Essa mudança do Ocidente pode ter consequências negativas para a Rússia de Yeltsin, a três meses das eleições legislativas, afirma Serguei Kolmakov, membro da Fundação Politka. Não se pode esquecer que empresários próximos a Yeltsin, beneficiados pelo poder atual, controlam os meios de comunicação, que respondem às acusações como se existisse um complô mundial contra o país. O diário Izvestia, por exemplo, destacou: "Não há dúvida que nos encontramos diante de uma forte campanha visando desacreditar a Rússia, seus dirigentes e empresários."





