Rio, 3 (AE) - O ministro das Relações Exteriores da França, Hubert Védrine, descartou hoje um atraso no início das negociações para liberação comercial entre o Mercosul e a União Européia, marcado para outubro deste ano. Ele considerou normal os recentes conflitos comerciais entre Brasil e Argentina, lembrando que a Europa viveu períodos semelhantes durante seu processo de unificação comercial e monetária.
"Quando as questões são urgentes e relevantes, os países têm reações divergentes", afirmou. "Acredito que os responsáveis pelo Mercosul vão encontrar respostas adequadas para solucionar o problema."
O embaixador ressaltou a importância do fortalecimento da região para o equilíbrio da economia mundial. "O projeto do Mercosul tem uma grande força", disse. Ele admitiu que o processo eleitoral em alguns países, como a Argentina, pode dificultar as negociações internas no bloco.
Mas, preferiu não comentar os conflitos comerciais enfrentados pelos dois principais países do Mercosul nos últimos meses. "Não cabe a mim julgar essas questões."
As acusações de protecionismo na região surpreenderam o embaixador. Em tom de brincadeira, Védrine disse estar mais acostumado a ver a Europa ser acusada de criar barreiras ao comércio mundial. Ele recorreu aos números de exportações do Mercosul para mostrar que a União Européia é mais aberta comercialmente do que os países do Nafta. Para a UE, o bloco vende US$ 11 bilhões, enquanto as exportações para o Nafta somam apenas US$ 2,7 bilhões.
O embaixador admitiu que negociações para abertura comercial são sempre complexas e difícies "Mas, se chegamos a um acordo em relação a esse esquema é porque acreditamos que temos algo a ganhar."
Segundo ele, a recessão na região acentuou as divergências entre os países. Védrine ponderou que o Mercosul sofreu as consequências das últimas crises mundiais. "Houve uma desregulamentação que ultrapassou todos os limites sensatos", reclamou. "É por isso, que existem economias atingidas por fenômenos que ocorrem do outro lado do mundo, com os quais não se tem qualquer responsabilidade."
Ele reafirmou a necessidade de os governos buscarem regras para controle de fluxo de capital, como as apresentadas durante a reunião da Cimeira no Rio de Janeiro.

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