Brasília, 16 (AE) - O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, afirmou hoje que irá examinar se é possível aplicar alguma punição ao apresentador Carlos Massa, o Ratinho, da Rede Record, que indiretamente teria emperrado as negociações entre a família da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano e os sequestradores de seu irmão Wellington. "Foi uma grande impropriedade", criticou Pimenta da Veiga. "Isto envolve a liberdade e a segurança de uma pessoa e portanto ninguém deve tomar uma atitude precipitada, inorpotuna e inconsequente como esta", afirmou o ministro.
Na última sexta-feira, o apresentador sugeriu em seu programa o lançamento de uma campanha nacional, por meio do telefone 0900, a fim de arrecadar R$ 3 milhões para pagar o resgate, sendo que a família já considerava possível pagar apenas R$ 300 mil.
A família e os policiais envolvidos na solução do caso também já acreditavam que a libertação do irmão dos cantores poderia ocorrer proximamente. No entender dos familiares do compositor, a intervenção do apresentador contribuiu para travar as negociações e pode até ter levado à radicalização da ação dos sequestradores. No sábado surgiu um pedaço da orelha do sequestrado em frente a uma emissora de televisão de Goiânia.
Pimenta da Veiga ainda não sabe que tipo de sanção poderá aplicar ao apresentador ou à emissora responsável pelo programa. "Estou aprofundando o exame (do caso)", disse o ministro. "Quero ver primeiro o que foi realmente feito para ver se é caso de punição", explicou.
Neste caso, segundo um especialista do setor, o ministério poderá citar os artigos 52 e 53 do Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, que pune o abuso no exercício da liberdade de radiodifusão. Ratinho pode ser responsabilizado, por exemplo, por ter colocado em perigo a ordem pública, veiculando notícias falsas.

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