Ministro espera impedir desmatamento com apreensão de madeira e aplicação de multas no AM
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 19 (AE) - O governo federal espera aplicar R$ 10 milhões em multas e apreender cerca de 100 mil metros cúbicos de madeira extraida clandestinamente na Amazônia até dezembro. A estimativa foi divulgada hoje, no Rio, pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Segundo ele, com estas medidas o governo espera impedir o desmatamento de pelos menos 200 mil hectares na região.
Segundo Sarney Filho, será possível alcançar esse resultado devido a Operação Integrada de Controle e Fiscalização da Amazônia, uma ação conjunta do Exército, Marinha, Aeronáutica
Polícia Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A informação foi dada pelo ministro durante palestra realizada na Escola Superior de Guerra (ESG), na Urca, zona sul do Rio, sobre a Política Nacional do Meio Ambiente.
Também foi anunciada a redução dos incêndios na Amazônia. De acordo com Sarney Filho, foram identificados, no ano passado, 7.316 incêndios florestais na região. Desde o início de 1999 - depois, portanto, do início da operação conjunta - foram indentificados 2.623 incêndios. Biopirataria - O ministro defendeu a criação de uma ação interministerial (Meio Ambiente, Justiça e Ciência e Tecnologia) para o combate a biopirataria na Amazônia, com a regulamentação de leis contra a coleta, pesquisa e remessa de extratos naturais sem autorização do governo federal. Segundo Sarney Filho, são contrabandeados por ano cerca de 20 mil diferentes extratos para a produção de medicamentos em laboratórios do exterior - no Acre
em 1996, teriam sido contrabandeados 500 quilos de sementes de várias espécies.
O ministro anunciou, ainda, a criação - a partir de uma parceria com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) - do Centro de Biotecnologia da Amazônia. Segundo ele, empresas de biotecnologia norte-americanas arrecadam até US$ 13 bilhões por ano. Sarney Filho defendeu também a regulamentação da Agência Nacional de águas como forma de acelerar a efetivação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Durante a palestra, o ministro citou dados segundo os quais mais de 90% do esgoto urbano produzido no País é lançado em rios e no mar sem tratamento contribuindo para a degradação do meio-ambiente.


