Ministro espanhol diz que não veio interceder pela Telefônica
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo 19 (AE) - O ministro da Indústria e de Energia e porta-voz do governo espanhol, Josep Piqué, disse que não veio ao Brasil em missão de interceder em favor da Telefônica, que nos últimos quatro meses vem enfrentando duras críticas por causa da qualidade de seus serviços em São Paulo.
Pique vai se reunir amanhã, em Brasília, com o presidente em exercício Marco Maciel e com os ministros de Energia e das Comunicações. "Vamos discutir assuntos diversos, como os investimentos de empresas espanholas no Brasil", disse Piqué, hoje, em São Paulo, onde manteve encontros com representantes do setor privado paulista.
O ministro espanhol afirmou que dentro da América Latina
o Brasil passou a ser a prioridade espanhola em questão de investimentos. Piqué confirmou o interesse de empresas dos setores de energia, como a Endesa, e de gás, como a Gas Natural, no processo de privatização da Cesp (Companhia de Energia de São Paulo).
"Essas empresas estão interessadas em gerar energia hidrelétrica e termoelétrica no Brasil", afirmou Piqué. Indagado se essas companhias teriam a mesma agressividade da Telefônica no ano passado, quando adquiriu a Telesp fixa com ágio de 64,28% e a Tele Sudeste Celular com 138%, o ministro limitou-se a dizer que a estratégia é definida pelas próprias empresas.
Outros setores que o ministro mencionou como sendo atrativos para o investidor espanhol foram os de agribusiness, turismo e indústria (brinquedos, móveis e autopeças). Piqué acredita que, apesar da crise, o Brasil está se recuperando, razão pela qual os investimentos espanhóis não serão interrompidos. "Eles são estratégicos e de longo prazo. O que interessa é a presença regular de empresas espanholas no Brasil e não bater recordes de investimentos", acrescentou Piqué. Para ele, é difícl dizer que a crise passou, mas, acrescentou, "vemos com mais otimismo a economia brasileira, por isso, estamos trabalhando com a perspectiva de uma retração de 2% no PIB e não mais de 4% e com uma inflação de 10% este ano e não mais com 15%".


