Ministro espanhol diz que denúncias sobre BC não afetam investimentos
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 20 (AE) - O ministro da Indústria e Energia da Espanha, Josep Piqué i Camps, disse hoje, depois de se reunir com o presidente em exercício, Marco Maciel, que as denúncias envolvendo ex-dirigentes do Banco Central (BC) não afetam os investimentos estrangeiros no País. Para Camps, o Brasil está passando por um processo de saneamento que a Espanha passou e é natural numa democracia.
Segundo o ministro, o importante é que o Brasil prossiga com o processo de privatização e de reformas política e tributária, que ele reconhece serem demoradas e difíceis, mas que tem certeza que serão feitas.
O ministro espanhol comemorou a recuperação da economia brasileira nos últimos meses e acentuou que, no segundo semestre
os números serão positivos. Em relação a 1999, ele informou que a previsão de queda de 4% da economia, acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), não irá se concretizar.
Ele garante que a redução será de apenas 1% ou 1,5% no ano, com uma inflação de cerca de 10%. Camps acentuou que a Espanha tem interesse em ampliar investimentos, principalmente em quatro áreas no Brasil: componentes automotivos, agrobusiness
turismo e energia elétrica baseada em gás natural. Até agora, os investimentos espanhóis concentravam-se em telecomunicações e no sistema financeiro. Os espanhóis querem investir também em pequenas e médias empresas.
O ministro acredita que as turbulências passaram e garantiu ter confiança na economia brasileira, assim como na de toda América Latina. Ele lembrou que os investimentos espanhóis não são especulativos, mas de longo prazo. "Permanece a tendência de aumento de investimentos no País", assegurou, ao ressaltar que, como a reversão de todo esse quadro brasileiro depende apenas de vontade política do governo, ele acredita que exista.


