Ministro espanhol descarta reindexação com metas inflacionárias
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domingo, 04 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 5 (AE) - As metas inflacionárias com margens superior e inferior de 2 pontos porcentuais, adotadas na semana passada pelo governo brasileiro, para este ano e para os anos 2000 e 2001 dificilmente devem abrir algum tipo de brecha que provoque uma reindexação da economia. A opinião é do ministro de Economia e Fazenda da Espanha, Rodrigo de Rato y Figaredo.
A Espanha é um dos países europeus que adotou essa política para a inflção e tem conseguido manter a sua taxa abaixo, inclusive, dos patamares definidos pelo Banco Central Europeu. A inflação espanhola prevista este ano, por exemplo, é de 1,8%, abaixo dos 2% previstos para o conjunto dos países da União Européia.
Em entrevista à AGÊNCIA ESTADO, o ministro espanhol explicou que as metas inflacionárias foram adotadas por muitos Bancos Centrais europeus e, até agora, nenhum deles se viu obrigado ou correu o risco de reindexar a economia. "As metas inflacionárias são úteis, eficientes e mais confiáveis do que qualquer outra política, como a da expansão monetária, por exemplo", disse ele, depois de ter participado do encerramento do seminário "Brasil-Espanha: novas parcerias econômicas", promovido pela Embaixada da Espanha.
Para o ministro espanhol, as metas para a inflação dão maior transparência ao sistema monetário de um país e, em consequência disso, a autoridade monetária tem, necessariamente, de se adaptar a elas.
Desemprego - Sobre o problema do desemprego, um dos pontos fracos do plano de estabilização do governo brasileiro, o ministro Rodrigo de Rato y Figaredo, explicou à AE que é necessário adotar medidas de urgência em "consonância" com os trabalhadores para combatê-lo.
Ele disse que o governo espanhol demorou oito meses negociando com os sindicatos até chegar a um acordo que permitiu reduzir consideravelmente a taxa recorde de mais de 22%. "Reduzimos os impostos para as pequenas e médias empresas e baixamos as taxas de contribuição social e os impostos sobre os salários", explicou o ministro.
Rato disse ainda que o governo espanhol aumentou os incentivos para as empresas que contratam recém-formados e flexibilizou as leis trabalhistas do país. A isso, segundo ele, somaram-se a forte queda da inflação e a redução das taxas de juros. De acordo com o ministro, a Espanha cria hoje empregos a um ritmo três vezes superior ao da média dos países europeus.
"A desocupação na Espanha hoje é de 17%, taxa nada comparável aos mais de 22% de três anos atrás. A nossa meta é reduzi-la a 12% nos próximos três ou quatro anos", acrescentou o ministro.
Um dos pontos pendentes no problema da desocupação, entretanto, é o das mulheres, cuja taxa de desemprego chega a 24%, em comparação com a taxa no meio masculino, que é de 12%. "Estamos tentano resolvê-lo incentivando os contratos temporários, disse o ministro.


