Ministro engaveta discussão sobre UTIs
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de abril de 2005
Eduardo Scolese<br>Folhapress 
Acra, GANA - O ministro da Saúde, Humberto Costa, convocou entrevista ontem à tarde em Acra (Gana) para anunciar o engavetamento das discussões em torno da criação de normas para restringir o acesso a leitos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) no país. ''Essa discussão, da forma como está colocada, precisa ser reposta. Estamos suspendendo esse debate, essa discussão, para começá-la no momento em que possamos reposicionar a discussão e deixar claro à população que não existe qualquer risco de as pessoas deixarem de ter acesso a esse serviço.''
Anteontem, em Iaundê (capital de Camarões), Costa havia dito que tal iniciativa do governo federal não encontraria ''polêmicas'' nem ''resistências'' em torno de sua formulação, com prazo até então estipulado para meados deste ano.
O ministério trabalhava com o objetivo de criar normas para restringir os leitos de UTI apenas para pacientes graves com chances reais de recuperação. A iniciativa causou reações negativas em setores médicos e no Congresso.
Ontem, em entrevista no palácio do governo de Gana, o ministro da Saúde, que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita a cinco países africanos, declarou que a discussão em torno da criação das normas causou reações ''políticas'', em vez de uma polemização técnica. ''O mais importante é que isso é uma discussão de ordem técnica e terminou se passando para uma discussão política que nada tem a ver.''
A partir de agora, segundo Costa, não existe prazo para que as conversas sobre o tema sejam retomadas. ''Não há nenhum estabelecimento de prazo. O que nós queremos é fazer a discussão de forma correta, situá-la num nível técnico e impedir que haja qualquer tipo de má compreensão ou de insegurança por parte da população.''
Na entrevista de ontem, o ministro da Saúde fez questão de afirmar que a hoje eventual normatização do tema não excluirá o poder de decisão dos médicos, no momento de optar ou não pela internação de determinado paciente em Unidades de Terapia Intensiva. Atualmente, a estimativa é que entre 15% e 20% dos internados em UTIs estejam em situação incurável.


