Ministro é vaiado na UFPR
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segunda-feira, 15 de março de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O ministro da Educação, Tarso Genro, foi recepcionado com vaias pelos alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde esteve na manhã de ontem para a aula inaugural do ano letivo da instituição. Os acadêmicos demonstraram insatisfação com a política do governo federal para o ensino superior público, principalmente com a proposta de reforma universitária. Segurando faixas agressivas como a que trazia os dizeres: ''Vende-se a UFPR. Tratar com o ministro Tarso Genro'', os estudantes criticaram a forma como o governo Lula pretende resolver a falta de recursos para as universidades públicas.
Para desfazer o mal-estar, o ministro disse que o documento preparado por uma comissão interministerial com propostas de reforma universitária é uma ''síntese às vezes equivocada'' de diversas forças e concepções internas do governo. Uma de suas críticas é sobre o financiamento, pois se abre a possibilidade para algum tipo de ressarcimento. ''A universidade pública tem que ser gratuita, tem que ter fontes claras de financiamento, com incidência sobre quem tem condições de pagar, mas são fontes públicas e não pagas pelos estudantes'', afirmou. No decorrer da palestra, Tarso Genro foi conquistando a platéia e acabou sob aplausos.
O ministro criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI), dizendo que sua proposta de educação é ''inaceitável''. ''Essa agência internacional tem uma visão que defende interesse do núcleo orgânico do capitalismo mundial, através da qual desejam que todos os recursos sejam investidos na educação fundamental e básica e que a universidade seja enfraquecida para gradativamente ser privatizada'', criticou.
A intenção, segundo o ministro, é concluir a proposta da reforma universitária até novembro. ''Vou trabalhar por uma proposta que fortaleça a universidade pública, que dê maior abrangência, maior responsabilidade e amplie o ensino superior público e gratuito'', disse.
O ministro defendeu a autonomia universitária, com representação da sociedade civil nos conselhos universitários, e a revisão na forma de acesso à universidade pública, ampliando-se as vagas e usando mecanismos que favoreçam o ingresso de classes sociais menos favorecidas. Tarso Genro defende, ainda, a criação de um fundo financeiro específico para a universidade pública, já a partir de 2005.
Questionado sobre a manifestação dos estudantes, o reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, afirmou que ''não houve grande tumulto''. Segundo ele, membros do sindicato dos funcionários da universidade é que teriam cobrado do ministro a implantação de um plano de cargos e salários. Tarso não se pronunciou sobre a reivindicação.
Para Moreira Júnior, a melhor notícia trazida pelo ministro Tarso Genro em relação à reforma universitária foi quanto a ocupação de vagas nas universidades privadas. A proposta do governo é reverter os R$ 200 milhões, que as instituições particulares recolhem anualmente em impostos federais, em vagas para atender a demanda de estudantes do Fundo Fies.


