Ministro e presidente do STF criticam saque
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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Sônia Cristina da Silva 
Brasília, 18 (AE) - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, classificou como crime contra o patrimônio o saque promovido hoje por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) a um caminhão de soja e adubo que deixava a Fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). Segundo ele, é competência da Polícia Militar de Minas Gerais investigar o caso. O ministro disse que já enviou agentes federais para proteger a casa de Fernando Henrique.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, condenou ação dos sem-terra, acampados na frente da fazenda desde terça-feira. O ministro da Justiça e o presidente do STF participaram hoje de debate sobre violência promovido pela Câmara. José Carlos Dias disse que não havia recebido a informação oficial sobre o saque ao caminhão promovido pelos acampados em frente à fazenda para pressionar o governo a liberar recursos destinados à compra de adubo e sementes para o plantio da safra. "Saquear é crime contra o patrimônio", disse José Carlos Dias. "Se houve isso, a polícia mineira vai investigar".
Polícia federal - O ministro explicou que decidiu enviar policiais federais para a fazenda como medida de prevenção, para evitar o que chamou de problemas mais graves. "Eu mandei lá para garantir a ordem; só isso", argumentou. "A casa do presidente não merece ser protegida, se necessário?", questionou, em seguida. Seis agentes do Comando de Operações Táticas (COT) chegaram na fazenda na madrugada de quarta-feira e foram conduzidos à sede da propriedade.
O presidente do Supremo Tribunal Federal disse que os próprios sem-terra podem sair prejudicados com a decisão de saquear o caminhão. "Sempre que se age contra a lei, cava-se um poço; age-se contra si próprio", disse Carlos Velloso, criticando a ação. "Qualquer forma de atuação que não esteja de acordo com a lei, não tem o nosso aplauso", afirmou o ministro, para quem as soluções devem ser buscadas dentro da legislação.


