Buenos Aires, 21 (AE) - O ministro do Trabalho da Argentina, Ermán González, renunciou nesta sexta-feira ao meio-dia. O motivo de sua renúncia foi o escândalo ocorrido pela descoberta de que recebia uma aposentadoria de US$ 8 mil.
González estava na Colômbia, participando de um encontro de ministros do Trabalho, quando foi chamado pelo scretário-geral da presidência, Alberto Kohan, para retornar imediatamente a Buenos Aires e apresentar sua renúncia, já que por causa do escândalo, sua posição no gabinete estava se tornando insustentável.
Durante a semana, a opinião pública chocou-se ao saber que González havia começado a receber uma aposentadoria de US$ 8 mil em março, mesmo sem ter a idade mínima para ter direito à ela. O escândalo foi maior quando soube-se que González também tinha direito à receber as aposentadorias acumuladas desde 1989, em um total de US$ 222 mil.
González primeiro declarou que não havia recebido essa quantia ainda, mas depois descobriu-se que o dinheiro já estava em posse do ministro.
O affaire da aposentadoria de González encontrou-se em um contexto pouco favorável, já que nos dias anteriores o governo havia anunciado um forte corte orçamentário e a possibilidade de reduzir mais ainda a aposentadoria mínima, que está em US$ 200, muito abaixo do volume recebido por González.
Ao apresentar sua renúncia, nesta sexta-feira, González declarou que doaria os US$ 222 mil, mas que não faria alarde disso. "Menem aceita que minha aposentadoria é legalmente correta e reconhece meu trabalho feito nos últimos anos. Mas, para evitar que a sociedade interprete errado o que aconteceu, é conveniente minha renúncia", disse. Seu substituto é José Uriburu, que foi o vice-ministro do Trabalho de González.
A retirada de González do governo foi interpretada como um sinal da fraqueza cada vez maior do presidente Carlos Menem. Analistas afirmaram que meses atrás, Menem não teria deixado se pressionar por um escândalo de uma magnitude como esta, envolvendo temas como a moral e a ética.
Nos últimos dias sucederam-se centenas de manifestações em todo o país protestando contra o modelo econômico do governo. Choques com a polícia causaram uma centena de feridos na cidade de Resistencia, capital da província do Chaco. Os manifestantes, funcionários públicos provinciais, protestavam por maiores salários.
Na província de Tucumán, pelo terceiro dia consecutivo, produtores de cana-de-açúcar bloquearam as estradas que levam ao norte do país, causando o caos no tráfego de veículos e paralisando o comércio com o sul da Bolívia e o norte do Chile.
Os usineiros de Tucumán protestam contra a entrada de açúcar brasileiro no país e à falta de financiamento. Os usineiros sustentam que está em risco a economia de três províncias do norte do país, e o trabalho de 150 mil pessoas.
Além disso, o setor agropecuário está em clima de tensão crescente: as principais federações agrícolas anunciaram uma paralisação de oito días no início de junho. No fim do mês passado, o setor entrou em greve durante dois dias, em protesto contra o descaso do governo com o campo.
Desta vez, o protesto incluirá os cortes das principais estradas do país e marchas com tratores.

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