Ministro do Exterior alemão traz suas reservas a Washington
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Barry Schweid 
Washington, 25 (AE-AP) - Contornando diferenças entre aliados da Otan sobre a estratégia de guerra, os Estados Unidos e a Alemanha concentraram-se nesta terça-feira (25) no planejamento de uma força de paz para Kosovo e o eventual retorno de refugiados albaneses étnicos para a província sérvia.
Publicamente, pelo menos, o ministro do Exterior Joschka Fischer não disse nada numa conferência coletiva conjunta com a secretária de Estado Madeleine Albright sobre a implacável oposição da Alemanha ao envio de tropas terrestres contra os sérvios - uma opção que Albright afirmou ainda está sobre a mesa.
Fischer, cujo governo conta com a participação de determinados pacifistas, preferiu reafirmar o objetivo de anular o "nacionalismo agressivo" do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, com uma vitória militar da Otan. "Esta política de nacionalismo agressivo do senhor Milosevic, com raízes nos anos 30, tem de ser parada", afirmou Fischer.
Albright disse que de seu encontro com Fischer concentrou-se na "unidade da aliança" em meio a manifetações e outros sinais na Sérvia de que o povo estava se voltando contra Milosevic.
Albright também admitiu que esforços para conseguir um boicote voluntário de fornecimento de petróleo para a Iugoslávia teve sucesso apenas parcial, apesar de ela dizer que os ataques aéreos da Otan reduziram drasticamente os suprimetos de Milosevic. Albright afirmou que conversaria com autoridades da Ucrânia, onde barcaças estariam carregadas de petróleo para cruzar o mar Negro e navegar pelo rio Danúbio até Bulgária e Romênia.
A Alemanha se opõe veementemente a qualquer consideração de se enviar tropas de combate para um conflito não resolvido - uma opção que o Departamento de Estado considerou segunda-feira que ainda estava em aberto - e está discutindo publicamente os "erros" da Otan que embaraçaram os aliados e provocaram furor na China depois de sua embaixada em Belgrado ser bombardeada.
A residência do embaixador da Suíça também foi atingida. Antes de voar para os EUA, Fischer reuniu-se com o ministro do Exterior suíço, Joseph Deiss, em Bonn, e disse que "são necessárias conversações urgentes" sobre a lista de alvos.
A escolha de alvos da Otan deve ser feita de forma a se "evitar mais efetivamente provocar danos em alvos civis", afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior alemão, Martin Erdmann.
A Alemanha tem apoiado fortemente a campanha aérea, mas está inflexível contra o envio de tropas terrestres. A Grã-Bretanha, por outro lado, assume a posição de que tropas terrestres devem ser consideradas numa estratégia de "fim de jogo" para varrer enfraquecidas tropas sérvias de Kosovo.
Albright também se reunirá esta semana com os ministros do Exterior da Grécia, Yeoryios Papandreou, e do Canadá, Lloyd Axworthy.
Papandreou esteve segunda-feira em Pequim, onde o chanceler chinês Tang Jiaxuan exigiu que a Otan suspenda os bombardeios antes que o Conselho de Segurança da ONU abra discussões sobre uma solução política para Kosovo.
"Eles deixaram bem, bem claro que não serão capazes de votar por uma resolução da ONU se os bombardeios não forem suspensos"
afirmou Papandreou a repórteres pouco antes de partir de Pequim.
Enquanto isto levanta a perspectiva de um veto chinês, Papandreou disse que a China quer desempenhar um papel construtivo na resolução do conflito.
Grécia e Itália, enquanto isso, estão fazendo um lobby por uma pausa nos bombardeios a fim de dar um período de calma para o presidente Milosevic formular uma resposta às exigências da Otan. Elas incluem a retirada de todas as tropas e força paramilitares sérvias de Kosovo e o retorno dos refugiados sob a proteção da Otan e outros mantenedores de paz.
Os Estados Unidos também apóiam a suspensão dos bombardeios - mas só se a Iugoslávia aceitar todas as cinco condições para um acordo, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin.
Em Moscou, enquanto isto, o mediador russo Viktor Chernomyrdin disse que persuadiu países ocidentais a permitir que a Iugoslávia mantenha algumas tropas em Kosovo como parte de um acordo.
Mas o enviado da Iugoslávia nas Nações Unidas, Vladislav Jovanovic, afirmou que as tropas da Otan não têm o direito moral de entrar em seu país depois de bombardeá-lo.
Na segunda-feira, Rubin disse que uma "simbólica presença" dos sérvios poderia permanecer nas fronteiras e em certos locais sagrados, mas eles não poderiam determinar quais refugiados poderiam voltar para suas casas na província.
Chernomyrdin pretende ir a Belgrado quinta-feira com o presidente filandês, Martti Ahtisaari, depois de uma nova rodada de conversações em Moscou com o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbott, e Ahtisaari.


