Brasília, 04 (AE) - O ministro do Exército, Gleuber Vieira, distribuiu nota a todos os militares, manifestando total apoio ao ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. Há uma semana foram veiculadas as primeiras notícias sobre um possível grampo feito em telefones do general Cardoso. Os telefonemas grampeados trariam conversas entre Cardoso e dois subordinados, combinando o depoimento a ser dado ao Ministério Público do Rio de Janeiro sobre as fitas com gravações clandestinas feitas durante a privatização do sistema Telebrás.
O general negou que tenha feito tal combinação. A Polícia Federal, por sua vez, negou que tenha pedido a autorização para grampear o general. Mas Cardoso descobriu três escutas no telefone residencial que fica em área onde moram os integrantes do Alto Comando do Exército. As informações publicadas pela imprensa têm como pano de fundo uma disputa de poder entre a Polícia Federal e a área de inteligência de responsabilidade de Cardoso. A divergência entre as duas áreas teria se intensificado depois da criação da Secretaria Nacional Anti-drogas, que tirou da PF parte de suas funções.
Na nota, assinada pelo chefe da assessoria de Comunicação Social do Exército, Luiz Cesário Filho, há referência explícita ao trabalho feito por Cardoso na área de combate às drogas. "No desempenho de suas funções, (o general) foi convocado para conduzir a reorganização, em nível nacional, das áreas de inteligência e de prevenção e combate às drogas", diz o texto. "Ao desincumbir-se desses encargos, vem enfrentando opiniões divergentes com relação ao rumo dos trabalhos - algumas sugerindo prática, por parte do general Cardoso, de atos ilícitos - o que tem merecido ampla cobertura da imprensa."
O ministro reafirma na nota sua confiança no esclarecimento dos fatos divulgados "dentro dos trâmites consagrados pelo Estado de Direito". "O Exército reitera sua plena confiança na conduta ilibada do general Cardoso e repele, com veemência, as insinuações dirigidas contra a pessoa desse honrado chefe militar", finaliza.
A nota é, na verdade, um boletim interno do Exército que tem como propósito divulgar a versão da força sobre determinado assunto. "O objetivo, neste caso, é mostrar aos militares que a Força está unida na defesa do general Cardoso", afirmou uma fonte militar.
Há uma preocupação dos oficiais de que os fatos que vêm sendo divulgados possam gerar manifestações individualizadas em favor do general, que corresponderiam a ato de indisciplina. Até mesmo o fato do general ser submetido a uma acareação com o chefe da Agência Brasileira de Inteligência no Rio, João Guilherme de Almeida, preocupa os oficiais. Como não tem mais status de ministro, Cardoso não tem direito a foro privilegiado para prestar esclarecimentos, o que poderia causar indignação nas Forças Armadas.
Segundo assessores, o presidente Fernando Henrique Cardoso está indignado com todas as ações contra o general e continua insistindo que ele é um fiel colaborador e merece toda sua confiança.

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