Recife, 31 (AE) - O ministro da Educação do Egito, Hussein El Din, cobrou hoje ajuda financeira de países desenvolvidos, multinacionais e instituições como o Banco Mundial (Bird) para melhorar os níveis de educação no planeta. Para ele, recursos externos são imprescindíveis para que os países em desenvolvimento tenham condições de oferecer ensino de qualidade e acompanhar os avanços tecnológicos mundiais.
"É uma questão de segurança para essas nações, diante da distância cada vez maior que separa os ricos dos pobres", disse El Din, mencionando a imigração ilegal e atos terroristas como alguns dos problemas que ameaçam os países desenvolvidos. "Não se trata de ajuda humanitária". A declaração de El Din foi feita hoje, na abertura da reunião de ministros da Educação e técnicos dos nove países em desenvolvimento mais populosos do mundo (E-9), em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Além do Brasil, o grupo reúne China, México, Índia, Egito, Bangladesh, Paquistão, Nigéria e Indonésia. Hoje, os participantes do encontro não chegaram a um acordo sobre o conjunto de metas a ser definido para os próximos dez anos. Infra-estrutura - Representantes da China também reivindicaram ajuda financeira das agências internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, Cultura e Ciência (Unesco). A queixa é que os governos são cobrados pelos órgãos internacionais para atingir níveis de qualidade em seus sistemas de ensino, mas não recebem a ajuda econômica necessária.
Mas o coordenador da Unesco para o E-9, Wolfgang Vollmann, considera que a solução dos problemas educacionais não passa necessariamente pela aplicação de mais dinheiro. "Se os programas estabelecidos não são seguidos, o dinheiro desaparece e nada é feito", disse Vollmann, admitindo que as agências internacionais podem dar mais "suporte técnico" aos governos. É o que pensam os representantes de Bangladesh, para quem os países precisam ter infra-estrutura para investir corretamente os recursos destinados à educação. Metas - O ministro do Egito criticou a proposta de metas a ser estabelecidas pelos nove países no fim do encontro, quarta-feira. Preparado pela Unesco, o texto previa a universalização da pré-escola e a erradicação do analfabetismo até o ano 2010, a fixação de parâmetros mínimos de aprendizagem até 2005, o investimento na realização de estudos e estatísticas nacionais sobre ensino, e a garantia de vagas para meninas e meninos em igual proporção nas escolas até 2005.
"Ao ler o documento, o que vi foi uma mensagem do passado e não do futuro", afirmou El Din. Segundo ele, os avanços tecnológicos exigem um novo modelo de educação, com ênfase na excelência. "O analfabetismo e a falta de vagas são problemas do século passado, mas ainda não conseguimos resolvê-los", rebateu a representante do governo brasileiro Eunice Durham, do Conselho Nacional de Educação (CNE).
Para Eunice, no entanto, investimentos em projetos de alta qualidade devem ser feitos para irradiar bons exemplos pelos países. "Mas no Nordeste, em escolas onde falta até energia elétrica, como instalar computadores?", provocou Eunice. Ministros - Os representantes dos nove países decidiram estabelecer novas metas, o que deve ocorrer a partir de amanhã, já com a participação de todos os ministros. Hoje, o encontro tinha caráter técnico. "Os países entenderam que a proposta de metas apresentada preservava o tom pessimista em relação aos nove países", disse a presidente do encontro e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Maria Helena Guimarães de Castro. "Precisamos ser mais ousados para diminuir a distância em relação aos países ricos".
O relatório síntese da situação da educação nos nove países, preparado pelo ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Simon Schwartzman, também terá nova redação. Representantes de diversos países apontaram incorreções no documento, que concluiu não ter havido grandes avanços na educação dessas nações nos últimos dez anos.

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