O ministro de Minas e Energia, José Jorge, afirmou ontem que não vê problemas na permanência do presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, à frente da empresa após o acidente na plataforma P-36. ‘‘Acidentes infelizmente acontecem’’, disse o ministro.
Segundo José Jorge, Reichstul, que completará dois anos no cargo no próximo sábado, tem tomado todas as providências possíveis para contornar os problemas decorridos do acidente. ‘‘Ele tem feito uma boa administração, apesar de alguns problemas que tem enfrentado’’, disse o ministro, se referindo também aos vazamentos de óleo em áreas de proteção ambiental registrados nos últimos anos.
Por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, José Jorge passou o dia de ontem em Campos, no Rio de Janeiro, acompanhando os trabalhos emergenciais da Petrobras.
Apesar de ter viajado com essa missão, até o início da tarde de hoje o ministro não havia falado mais com FHC. A última conversa havia sido na manhã de ontem, quando houve a comunicação do acidente e a determinação para que ele viajasse até o local.
Anteontem à tarde, em Recife, onde ambos participaram de evento de lançamento do Projeto Alvorada, FHC e José Jorge também não se falaram. O ministro ficou na cidade -ele é pernambucano- e o presidente voltou para Brasília.
José Jorge disse também que evitou ir até o lugar do acidente porque a sua visita implicaria a ocupação de um dos helicópteros que estavam sendo usados pelas equipes técnicas de resgate.
Há apenas quatro dias no cargo, José Jorge evitou fazer prognósticos mais precisos sobre o acidente e suas consequências. ‘‘A questão é muito técnica’’, insistiu.
Apesar disso, disse que a plataforma havia afundado mais dois metros durante o dia de ontem, mas manteve a mesma inclinação.
Anteontem, o ministro José Jorge deu como certa a morte dos nove funcionários da Petrobras que estavam sendo considerados desaparecidos, apesar de a empresa não ter tomado tal decisão.
‘‘Eles estavam dentro de uma estrutura que equivale a um prédio de dez metros quando houve a segunda das três explosões. Não há como sair de lá vivo’’, afirmou. (A.F.)

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