Rio - O ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, deu início ontem à incineração de 85,5 toneladas de drogas, apreendidas nas fronteiras do Mato Grosso do Sul e do Paraná, nos fornos da Companhia Siderúrgia Nacional (CSN), em Volta Redonda, RJ. A carga foi transportada até o RJ - numa operação que custou, segundo dados oficiais, R$ 100 mil - para dar visibilidade ao trabalho do governo federal de combate ao tráfico, disse Thomaz Bastos. A CSN informou que queima deve demorar três dias.
''Algumas pessoas nos perguntam: 'Mas isso não poderia ter sido incinerado no Mato Grosso do Sul?' Não. Existe um efeito pedagógico'', afirmou. ''Nós queremos solenizar, usar uma linguagem simbólica, para fazer um efeito intimativo geral, mostrando o nosso combate e a eficiência do trabalho contra o crime organizado.'' Ele disse ainda que a escolha da CSN foi para ''dar dramaticidade'' à ocasião.
Apreendidas entre junho de 2003 e maio de 2004 em municípios como Ponta Porã, Corumbá, Curitiba e Foz do Iguaçu, as 85,5 toneladas - 84,4 de maconha, 1 de cocaína e quantidades menores de haxixe, crack e ecstasy - seriam distribuídas por traficantes no Sudeste e no Sul do País.
As drogas foram transportadas em quatro carretas, escoltadas por mais de 100 agentes do Comando de Operações Táticas (COT), grupo de elite da Polícia Federal. Dois helicópteros da Coordenação de Aviação Operacional da PF acompanharam o comboio. Thomaz Bastos não soube informar o valor comercial do material. ''Isso teria de ser perguntado a algum traficante'', brincou.
Queima - Hoje o ministro da Justiça jogou, simbolicamente, apenas alguns pacotes num carro torpedo. É este veículo que leva a carga até o forno, onde o material é misturado, a 1.300º C, ao ferro-gusa, que dá origem ao aço quando unido ao oxigênio.
Delegacia - Ainda em Volta Redonda, o ministro da Justiça inaugurou a delegacia da PF na cidade, que terá como principal atribuição combater o tráfico na região da rodovia Presidente Dutra, que liga o Rio a São Paulo, rota utilizada por traficantes. O superintendente geral da PF, Paulo Lacerda, disse que, inicialmente, serão mantidas apenas as funções administrativas da unidade. A previsão é que 80 agentes sejam destacados para a unidade até o início de 2005.

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