Ministro diz que 'provão' foi tranquilo
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domingo, 11 de junho de 2000
Das Agências e Sucursais 
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, afirmou ontem que a quinta edição do provão foi realizada em clima de absoluta tranquilidade. O ministro informou que foram registrados dois incidentes no país. Em Belém, um protesto bloqueou a rua de acesso a um dos locais de prova e alguns alunos perderam o exame. Em Brasília, houve a tentativa, sem sucesso, de um grupo de manifestantes de pular o muro para evitar que a prova fosse realizada.
Das cinco edições, esse foi o exame mais tranquilo, afirmou o ministro. Os alunos que perderam o exame serão prejudicados, porque apenas receberão o certificado de conclusão do curso. Para obter o diploma formal, esses estudantes terão de fazer o provão no próximo ano. Pela lei 9131 de novembro de 1995, todos os alunos de cursos avaliados são obrigados a fazer o provão.
Para a realização do provão, o ministério contratou um consórcio formado pela Cesgranrio e pela Fundação Carlos Chagas por meio de licitação pública. O valor do contrato é de cerca de R$ 15,3 milhões, em torno de R$ 5.300 por curso avaliado. Foram avaliados 2.889 cursos. As provas foram aplicadas em 7.547 salas de 454 municípios, com a previsão de participação de cerca de 214 mil estudantes.
Em São Paulo, a Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social) mobilizou cerca de 30 pessoas para fazer campanha de boicote ao provão nos locais de exame. Eles distribuiram panfleto explicando o porquê do boicote ao provão e adesivos com a frase Colei no provão; avaliação pra valer. Houve protesto também em Ribeirão Preto.
Em Fortaleza, no Ceará, 12 alunos da Universidade de Fortaleza (Unifor) fizeram o provão graças a mandado de segurança. Eles não estavam na relação dos 3.400 estudantes cearenses aptos a fazer a prova por um erro administrativo da universidade. O mesmo ocorreu em Rio Branco, no Acre.
Em Curitiba, universitários reclamaram de provas confusas, mal elaboradas e com questões que induziam ao erro. A expectativa era de que cerca de 14 mil estudantes participassem do exame nacional de cursos no Estado. Foi horrível. É um absurdo ter uma avaliação assim, disse Isabelle dos Santos, estudante do curso de psicologia da Universidade Tuiuti. Ela mencionou que haviam questões onde poderia existir mais de uma resposta. Um dos exemplos estava no exercício de número 16 que perguntava quais as influências que a TV poderia exercer na formação de uma criança.
Em Guarapuava, na região central do Estado, cinco mulheres tiveram que conciliar as provas com a amamentação de seus filhos. De acordo com a assessoria do Ministério da Educação, a cidade paranaense registrou a maior concentração de mulheres que necessitaram de atendimento especial para fazer o provão. Em todo o País, foram registrados 10 casos semelhantes.
Em Londrina, a greve dos professores e funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) pode ter tirado a motivação dos formandos em ter um bom desempenho no provão. Ao contrário de Curitiba, em Londrina a maioria dos estudantes considerou a prova bem formulado e de nível médio.
Antes da prova, um grupo de grevistas fez panfletagem pedindo apoio aos estudantes para o movimento, que deve ser ampliado hoje com a adesão dos 1,5 mil funcionários do Hospital Universitário (HU) e Hospital de Clínicas (HC). A paralisação começou na segunda-feira. O diretório central afirma que os estudantes também estão em greve.


