São Paulo, 06 (AE) - O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, reafirmou hoje que o Ministério não pode resolver diretamente o problema salarial dos funcionários da Rede Manchete, que não receberam os pagamentos dos últimos cinco meses, o 13º e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Cerca de 70 funcionários da Manchete ocupam, desde quinta-feira (04), a sede do Ministério das Comunicações em São Paulo. Eles reivindicam a intervenção federal na emissora para garantir a solução dos problemas e o afastamento da família Block/Hapeller do controle da Rede, além do pagamento das multas
já definidas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), e das verbas rescisórias aos demitidos antes de setembro de 1998.
Uma proposta chegou a ser enviada ao ministro, que se mostrou favorável aos trabalhadores, mas que não garantiu poder de obrigar a emissora a pagar os salários atrasados. Os jornalistas e radialistas da rede, que permanecem com a ocupação neste final-de-semana, prometem realizar um ato público no local (Rua Costa, 55), na terça-feira (09), às 17 horas, com a presença de parlamentares e sindicalistas.
Pimenta da Veiga argumentou que a ocupação da sede em São Paulo é uma atitude inconsequente, que provoca constrangimento para o Ministério e para os próprios funcionários da emissora. "O Ministério não pode permitir que eles fiquem lá." Pimenta não informou quais medidas estariam sendo tomadas para impedir a ocupação.
O Ministério das Comunicações, segundo Pimenta, está trabalhando junto à direção da Manchete para que ela regularize ou cumpra, ainda que parcialmente, os compromissos com os trabalhadores. Pimenta admitiu, no entanto, que o Ministério tem algumas limitações para solucionar a crise, mas que nem por isso deixa de estar atento às reivindicações dos trabalhadores e à crise da Rede.
O ministro, que participou hoje de um seminário sobre "A reforma política e o papel do novo Ministério das Comunicações", no município de São Roque (SP), lembrou que o prazo estipulado para a Manchete pagar os tributos que deve à União termina no dia 18 de maio. "Esperamos que o problema seja resolvido em algumas semanas. Não permitiremos que o prazo seja esticado, e todos os envolvidos no assunto sabem disso", afirmou, em tom de ameaça.
O ministro disse, ainda, que não vê problemas nas negociações entre o Grupo Block e o empresário Ary Carvalho, do jornal "O Dia", interessado em adquirir a Rede Manchete. "Temos que estimular uma negociação que prevê a solução definitiva, seja através da renovação das concessões, através do pagamento dos tributos, ou da transferência da direção da emissora para um grupo com capacidade técnica e competência".
Telefônica - O ministro afirmou que também está acompanhando atentamente às críticas que a Telefônica vem recebendo dos usuários pela qualidade dos serviços prestados à população. O índice de reclamação, segundo o ministro, é mais alto do que se esperava, mas considera que a empresa tem atendido as longas filas de espera.
"A Telefônica tem expandido extraordinariamente os serviços, provocando até uma interferência na qualidade", afirmou. Mas ressaltou que a expansão da empresa não justifica as falhas cometidas.
Para Pimenta, o que incomoda o Ministério é o pouco cuidado que a Telefônica tem de ser relacionar com os usuários. "Muitas vezes, o usuário pode até se conformar com uma falha ocorrida no sistema, desde que receba a explicação devida. Isso é fndamental", ensinou.
O ministro acredita, no entanto, que as falhas estão sendo resolvidas e que, com os serviços estabilizados, a Telefônica oferecerá mais qualidade à população.

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