O ministro da Justiça, Íris Rezende, disse ontem que o governo não vai admitir que os policiais militares façam greve para exigir melhores salários. ‘‘Em hipótese nenhuma os PMs devem reivindicar seus direitos decretando greve’’, afirmou, repetindo o que havia dito no dia anterior para representantes das PMs. Rezende informou que o governo continuará enviando tropas do Exército a todos estados que requisitarem, como já fez em Minas Gerais, Alagoas e Paraíba.
O ministro da Justiça pretende se encontrar hoje com o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Sérgio Cutolo, para discutir um projeto de financiamento de casa própria aos policiais militares. ‘‘A maioria dos soldados e cabos paga aluguel sem ter condições’’, justificou. A recomendação para que se estude a criação de um programa de habitação popular direcionado às PMs foi dada anteontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Com o financiamento de casa própria para a categoria, o governo tentará acalmar os policiais militares e diminuir os efeitos da rebelião da PM de Minas Gerais - que desencadeou protestos da categoria em todo o País. Íris Rezende informou que outras propostas de apoio aos PMs serão anunciadas, mas não quis revelar quais seriam.
O governo quer que as tropas mantenham a disciplina dos quartéis, sem protestos de rua e sem greve. Rezende reconheceu que é necessário dar um tratamento especial aos policiais militares, mas descartou a adoção de um piso salarial nacional de salários para a categoria.
Calma - O comandante do 59º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, coronel Antônio Carlos de Almeida, pediu ontem ‘‘calma’’ e ‘‘tranquilidade’’ aos policiais militares e civis de Alagoas que prometem fazer nova manifestação hoje durante a votação do impeachment do governador Divaldo Suruagy (PMDB). Almeida é responsável pelos 800 homens do Exército que desde anteontem substituem a PM na guarda dos prédios públicos alagoanos. ‘‘Estou muito preocupado, apesar de tudo estar correndo bem até agora. Será necessário haver muita calma e tranquilidade dos policiais na manifestação. Espero que a batalha seja no campo das idéias’’, afirmou.
Desde quinta-feira, 90% das polícias Civil e Militar estão sem trabalhar. Eles não recebem salários há mais de seis meses. O Exército foi requisitado por Suruagy, que temia a invasão do Palácio dos Martírios, sede do governo, anteontem durante a primeira passeata dos policiais. Hoje será o primeiro contato entre as tropas federais e os policiais.
Durante a passeata de anteontem, o Exército acabou não sendo visto pelos manifestantes. Os 120 soldados que estavam no palácio ficaram escondidos para evitar a possibilidade de violência. Eles temiam reação dos policiais locais. O clima era tenso ontem. Deputados da oposição sugeriam que o comércio fechasse as portas nas ruas centrais. As entidades de policiais afirmam que se o impeachment não passar -Suruagy tem maioria na Assembléia Legislativa - a manifestação seguirá para o palácio.
Suruagy é acusado de ter cometido crime de responsabilidade por ter utilizado indevidamente o dinheiro oriundo da emissão de R$ 301,6 milhões em títulos para pagar precatórios (dívidas judiciais).

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