Washington, 27 (AE-DOW JONES) - O ministro das Finanças da Colômbia, Juan Camilo Restrepo, ressaltou que a decisão de permitir a livre flutuação da moeda foi exclusiva do governo colombiano, apesar de a medida ter coincidido com o anúncio de um acordo de empréstimo multilateral de US$ 6,9 bilhões.
Em entrevista coletiva concedida em Washington, Restrepo disse que não espera "flutuações exageradas ou permanentes" na taxa cambial, observando que o peso já está em seu ponto de equilíbrio.
De acordo com traders, no primeiro dia de livre flutuação, o peso colombiano estabilizou-se em 2.015,00 por dólar por volta da metade da sessão, em Bogotá, com queda de 1,0% em relação aos 1.994,49 pesos por dólar no fechamento de sexta-feira.
Às 14h40 (Brasília), a moeda havia se valorizado um pouco para 2.014,00 pesos por dólar. O ministro colombiano não quis comentar se o Banco Central irá reservar parte dos fundos para intervir no mercado de moedas.
Restrepo disse que os objetivos básicos do acordo de ajuda são melhorar as contas fiscais e revigorar a atividade econômica. O programa tem como meta um crescimento do PIB de 3% em 2000, contra a expectativa de retração de 3,5% deste ano.
A previsão é de que a economia colombiana cresça 4% em 2001 e 4,8% em 2002. "Em todos esses programas de ajuda, há uma ênfase especial para a área social", disse. Restrepo acrescentou que o programa de ajuda prevê gastos anuais na área social da ordem de 500 bilhões de pesos.
No plano fiscal, projeta-se para o próximo ano um déficit do setor público de 3,2% do PIB, contra a estimativa para 1999 de 6% do PIB. As metas de déficit fiscal são de 2,5% e 1,5% do PIB para os anos de 2001 e 2002, respectivamente. "Este é um processo de limpeza fiscal. Queremos que a Colômbia tenha um sistema fiscal que caminhe em direção à autosuficiência", disse o ministro.
"O Congresso colombiano terá a chance de nos ajudar nessa tarefa", afirmou Restrepo, acrescentando que o governo irá propor uma reforma tributária para aumentar a base de arrecadação e medidas para reforçar os fundos de pensão.
O ministro ressaltou que o fechamento do acordo aumenta a credibilidade dos esforços da Colômbia para executar as reformas necessárias. De acordo com Restrepo, a expectativa é de que 30% desses US$ 6,9 bilhões estejam disponíveis ao país antes do final do ano.

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