Porto Alegre, 23 (AE) - O ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse hoje que, se "mais uma vez" a esquerda à qual ele pertence vai para a Marcha dos Cem mil defendendo o slogan "Fora FHC", irá incorrer no erro de tentar "atalho autoritário para resolver a sua insatifasção".
Jungmann disse que considera difícil a união entre os manifestantes da Marcha dos Cem mil e produtores rurais que estão em Brasília defendendo descontos nas dívidas do setor.
O ministro não acredita que quem está fazendo uma reinvindicação econômica vá "migrar" para uma reivindição política. Segundo ele, a reinvindicação econômica vai ser votada essa semana e cabe "acatar o resultado (da votação) do Congresso Nacional, seja ele qual for". Questionado sobre a afirmação do presidente Fernando Henrique de que vetaria o projeto de redução das dívidas, caso seja aprovado, Jungmann ressalvou que, "acima da decisão do Congresso, está a Constituição, que faculta ao presidente vetar matérias".
"Mas vetar não significa que não se possa recomeçar o jogo", acrescentou. Ele deu essas declarações no Banco do Brasil (BB), em Porto Alegre, onde assinou convênios entre o Banco da Terra e 73 municípios gaúchos, que receberão R$ 5 milhões do programa este ano.
De acordo com o ministro, o recursos poderão chegar a R$ 10 milhões, se houver demanda. Ainda hoje, o ministro tem audiência com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), no Palácio Piratini.
Eles vão tratar da retomada das vistorias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na região de Bagé, onde ocorreu a invasão da Fazenda Capivara, no dia 12.

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