Ministro diz que grampo no BNDES foi tentativa insidiosa
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Gilse Guedes e Maria Fernanda Delmas 
Rio, 30 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho, disse hoje que houve uma tentativa "insidiosa, covarde e criminosa" de sujar o nome do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), referindo-se ao escândalo da escuta telefônica na instituição.
Conversas entre o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o então presidente do BNDES, André Lara Resende, e o ex-vice-presidente da empresa estatal, José Pio Borges, foram gravadas de forma clandestina. O ministro participou hoje da posse do novo presidente do BNDES, Andrea Calabi.
O teor dos diálogos foi amplamente divulgado, o que levou à saída de Barros e Resende do governo. Nas conversas, os envolvidos tratavam da formação de consórcios para o leilão e houve suspeita de favorecimento a grupos privados. Em janeiro, Borges assumiu a presidência do banco, após comandar o BNDES interinamente desde o fim de 1998.
Há duas semanas, Borges renunciou ao cargo, depois que o governo anunciou a reforma ministerial. Durante o discurso de agradecimento, no auditório do banco, na cerimônia de posse de Calabi, ele agradeceu a confiança depositada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer.
"Estou seguro que trabalhei para atender às exigências do governo federal", afirmou Borges. Carvalho reforçou, em discurso, a qualidade do serviço público prestado pelo banco e declarou a satisfação com a contribuição do BNDES ao País. Carvalho disse que a instituição tem um corpo técnico da mais alta qualidade e lembrou da importância da equipe de apoio.


