São Paulo, 13 (AE) - O ministro Clóvis Carvalho (Desenvolvimento) afirmou hoje, em São Paulo, que o governo federal vê com "humildade" a avaliação negativa dos empresários paulistas sobre a sua própria atuação e que a resposta do governo é a "ação". De acordo com pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), divulgada ontem, o governo federal foi reprovado, com nota 4 numa escala que variava de 0 a 10. Carvalho disse, no entanto que o governo pretende manter a atual política economica.
"Ou seja, vamos buscar manter o crescimento e o desenvolvimento do País baseado na estabilidade e no poder de compra da moeda, com justiça social. Essa é a resposta do governo aos empresários" disse. O ministro admitiu que os resultados do governo na área social são os mais difíceis de serem avaliados. Carvalho se referia à principal deficiência do governo, segundo avaliação da pesquisa da Fiesp. "Há muita desigualdade a resolver e os empresários têm pressa sempre, como nós. Mas não ha outra forma de enfrentar isso sem geração de emprego e renda", afirmou. Por isso, segundo Carvalho o governo está empenhado em, mantendo a estabilidade, avançar e acelerar as condições de crescimento.
"Não há pobreza que seja destruída com benesses, com assistêncialismo, com golpes de mestre ou de mágica. Só há uma forma de enfrentar à desigualdade social e regional, com geração de renda e emprego", disse. Imagem - Segundo Clóvis Carvalho, o governo federal não está preocupado, a curto prazo, a melhorar sua imagem. De acordo com ele, o empenho é contra a volta da inflação e pela manutenção da estabilidade. Para Carvalho é difícil avaliar se até o final do ano pode haver a reversão da imagem negativa apontada pela pesquisa da Fiesp. "Prognósticos fazem os mágicos, os pesquisadores. Nós fazemos fatos". O ministro disse que o governo esta se articulando para que os fatos mostrem à sociedade as futuras mudanças. "A realidade vai mostrar que a apreciação sobre as atividades do governo será revertida dentro em breve, se é até o fim do ano, eu não sei", disse.
O ministro do Desenvolvimento acredita que a economia do país estará bem melhor no segundo semestre em relação ao primeiro. "As dificuldades pelas quais o País passou no início do ano certamente não deixaram boas lembranças, mas o governo sabe que o processo de desenvolvimento e crescimento da nação e da economia é algo que acontece no tempo". Segundo ele, os dados econômicos de hoje mostram que houve um rápido avanço no caminho da recuperação. "Os próprios empresários sabem que, face à gravidade da crise que enfrentamos e aos prognósticos do início do ano, estamos conseguindo superar com muita tranquilidade e muita determinação as dificuldades", afirmou.
Para o ministro, a recente alta do dólar e a queda registrada na Bolsa não frustram essa expecativa do governo de um segundo semestre melhor. "As oscilações de curto prazo vão existir sempre e o governo federal não pode estar preso a elas"
disse. Na avaliação de Carvalho, essas alterações se deram em função de articulações políticas. "Essas oscilações são normais e o governo sabe que tem que conduzir as coisas da economia real
por isso não temos nenhuma preocupação", comentou.
Carvalho afirmou que o Banco Central também não vê motivo de preocupação em relação a recente elevação do dólar. "Sabemos que as metas da inflação serão cumpridas como estão sendo as do ajuste fiscal e o equilíbrio das contas públicas, é só olhar os números do resultado fiscal de julho". Malan - O ministro do Desenvolvimento ainda elogiou hoje a atuação de Pedro Malan, da Fazenda, mas evitou entrar em detalhes sobre a operação realizada pelo governo federal para silenciar os críticos da atual política economica. "Quem decide sobre a permanência ou a saída do ministro é o presidente da república" disse. Segundo Carvalho, tanto a política econômica quanto Malan têm sido elogiados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e nos momentos de críticas, é necessário reiterar esse apoio. "Daí a clareza do presidente: o Malan é o coordenador desta área e continuará merecendo apoio e respeito pelo sucesso obtido na enorme luta de criar condições para o crescimento do País".
Sobre as críticas feitas pelo ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros à política econômica conduzida por Malan, Carvalho disse apenas que como ex-ministro Mendonça de Barros "pode falar o que quiser". Hoje à tarde o ministro participa de uma reunião com o conselho de diretores da Fiesp. Segundo Carvalho, esta é a primeira vez, depois de ter assumido a pasta do Desenvolvimento, que ele está em São Paulo. "Por isso, nada mais adequado do que visitar a casa onde se reúnem os empresários da indústria. É assim que o governo faz sempre, sempre pronto a ouvir e conversar com o setor produtivo".

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