Ministro diz que cumprimento de meta de exportação é difícil
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Irany Tereza e Gilse Guedes 
Rio, 30 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Clóvis Carvalho, reconheceu hoje que o governo terá dificuldades para elevar em 18% o valor das exportações este ano. A taxa de crescimento anual é a necessária para que o País atinja a meta de US$ 100 bilhões em exportações em 2002. Carvalho afirmou, porém, que há como alcançar o objetivo, mas fez ironia em relação às cobranças em torno acerca do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Se não chegarmos a este número, o presidente Fernando Henrique Cardoso não será destituído por causa disso."
A partir de agosto, estarão disponíveis no Banco do Brasil R$ 750 milhões para financiamento da próxima safra agrícola, informou o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes. Para aumentar o valor do volume exportado, na tentativa de anular o impacto que a queda no preço internacional das commodities teve sobre a balança comercial brasileira, o governo decidiu concentrar esforços em alguns setores.
Pratini anunciou que irá centralizar esforços para elevar as vendas de carne bovina e frutas. "Vamos exportar, no mínimo, US$ 1 bilhão em carne bovina no ano que vem", disse Pratini. Em 98, as vendas do produto para o exterior foram de US$ 580 milhões.
Para a fruticultura o objetivo é ainda mais ambicioso. Pratini espera elevar os US$ 220 milhões contabilizados com a exportação de frutas no ano passado para, no mínimo, US$ 2 bilhões em 2002. "É absolutamente possível se conseguirmos preparar nossos produtos para passar pelas barreiras sanitárias no exterior", disse, informando que o governo vai ampliar o programa de combate às pragas, especialmente em grandes centros produtores, como Petrolina, em Pernambuco, para atingir os mercados da Europa, Estados Unidos e alguns países do Oriente.
Para a carne bovina, será lançado esta semana um programa nacional de erradicação da febre aftosa. O governo vai fazer uma espécie de cinturão em torno de áreas já livres de contaminação, com a utilização de fiscais das secretarias estaduais de Agricultura. "Vamos fechar as estradas para impedir a passagem de animais de áreas ainda contaminadas para outras livres da aftosa", disse o ministro.
Mas é em marketing que ele pretende fazer os maiores investimentos. "Se os franceses conseguem vender aqui água mineral Perrier e Evian, temos de vender alguma coisa para eles", disse. Ele afirmou que o governo irá incentivar a promoção de produtos nacionais não apenas por setores, mas inclusive por empresas, e anunciou que está negociando com seguradoras a criação de um seguro de safra por empresas privadas. Já conversou com diretores da Sulamérica e da Bradesco
as líderes do mercado nacional de seguros.


