Ministro deve receber relatório sobre troca de medicamentos
Agência Estado
Do Rio
O secretário da Saúde do Espírito Santo, João Felício Scárdua, afirmou ontem que vai encaminhar hoje à Polícia Civil do Estado e ao ministro da Saúde, José Serra, relatório final sobre a possível troca de um lote de ampolas de glicose por frascos de cloreto de potássio - substância letal, se injetada diretamente na corrente sanguínea. Scárdua confirmou ontem que pelo menos uma caixa - que teve a troca de medicamentos constatada na sexta-feira - foi fabricada pelo Laboratório Hipolabor, de Sabará (MG).
O problema surgiu na noite de sexta-feira, quando o angiologista Homero Doyle Maia Neto, da Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí (ES), descobriu que havia 99 ampolas de 10 ml de cloreto de potássio 19,1% em uma caixa (lote S008/99) que deveria conter frascos de glicose 50%. Se eu não estivesse atento e olhado o rótulo, o paciente teria morrido, disse o médico. Neto afirmou que a caixa estava lacrada e disse que tem a nota fiscal com a descrição da venda de cem ampolas de glicose.
O Ministério da Saúde deve tomar alguma providência para saber se foi feita distribuição para outros Estados, afirma o secretário da Saúde.
A Vigilância Sanitária do Espírito Santo conclui hoje a vistoria que está sendo realizada na Santa Casa à procura de outras caixas do medicamento trocado. O resultado será anexado ao relatório que o secretário vai encaminhar à Polícia Civil e ao ministro José Serra. Até o começo da noite, não havia informações sobre a eventual distribuição de medicamentos trocados para outros pontos do Brasil, ou quantas caixas teriam sido entregues no Espírito Santo.
A glicose é usada em hospitais para reanimar pessoas que abusaram de bebida alcoólica. Sua solução pode ser aplicada na veia ou diluída em soro. Já o cloreto de potássio é um produto utilizado em casos de desidratação, mas não pode ser injetado na veia. Em estado puro, causa morte imediata. A injeção de cloreto de potássio teria sido uma das formas utilizadas pelo auxiliar de enfermagem Edson Izidoro para matar pacientes em um hospital do Rio de Janeiro.





