Brasília - O ministro da Defesa, José Viegas Filho, descartou ontem a possibilidade de nomeação de uma comissão independente para investigar a explosão do foguete em Alcântara, como pediu Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). ''É responsabilidade do governo fazer a investigação sobre as causas que motivaram o colapso do foguete e essa investigação será feita com transparência'', declarou o ministro.
''O apoio da comunidade científica é muito bem-vindo para que tenha total clareza quanto ao ocorrido'', declarou ele, ao admitir a participação dos cientistas apenas como colaboradores na apuração dos fatos, permanecendo a equipe já designada no comando das investigações.
Pouco antes da decisão do ministro, o presidente da Associação Brasileira de Direito Espacial, José Monserrat Filho, defendeu que somente uma comissão independente, sem a participação de técnicos do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e de outros órgãos do governo, teria isenção e autonomia para investigar o acidente que matou 21 pessoas.
Em depoimento na Câmara dos Deputados, Monserrar Filho destacou que investigação por uma equipe isenta e independente seria conveniente até para o CTA. ''Muita coisa importante será revelada e, certamente, são coisas que devem ser discutidas claramente'', justificou o professor. Monserrat considerou ''ilógica'' e uma ''falha técnica'' do governo nomear a comissão para investigar o acidente com pessoas envolvidas no projeto. Ele contestou ainda a versão de autoridades do governo de que todas as pessoas da comunidade científica são ligadas a órgãos governamentais. ''Concordo com a SBPC, a melhor maneira de apurar as causas do acidente seria uma comissão independente, presidida por cientista de reconhecido saber''.
Na audiência, ocorrida na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Monserrat defendeu também o acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos para o uso da base militar. ''Sem algum tipo de acordo com os norte-americanos, a base de Alcântara não terá futuro'', previu ao explicar que 80% do mercado estão sob domínio dos Estados Unidos e a maior parte dos foguetes é feita com componentes norte-americanos.
Mesmo que o Brasil feche acordo com a Ucrânia, o País precisará de financiadores para garantir o lançamento de foguetes pelo menos quatro vezes ao ano. O retorno, diz, virá das empresas interessadas em usar a base para fazer lançamentos competitivos e a maioria dessas empresas está nos Estados Unidos. Por fim, Monserrat classificou de ''balela'' os argumentos usados para atacar o acordo com os norte-americanos.
O professor defendeu ainda a necessidade de um apoio público por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o programa espacial brasileiro. ''É preciso ter verba, com regularidade e efetivamente assegurada'', apelou ele, que não quis vincular o acidente à falta de verbas. Mas ressalvou: ''é claro que a falta de regularidade no repasse de recursos criou um clima não propício a grandes êxitos''.

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