Brasília - O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, defendeu ontem a retomada de investimentos no programa nuclear brasileiro e o domínio da tecnologia para a produção de submarinos movidos a energia atômica. Repetindo um raciocínio comum na área militar, ele disse que uma estrutura adequada de ''defesa'' é condição necessária para o País manter a paz.
Amaral falou na abertura do seminário Tecnologia Nuclear Soberania e Desenvolvimento, na Câmara. Ele enfatizou que o objetivo do programa nuclear brasileiro é pacífico e busca avançar no uso civil desse tipo de conhecimento para a geração de energia e a realização de exames na medicina.
''É preciso lembrar que o programa nuclear não é bomba atômica'', disse o ministro. Em janeiro, nos primeiros dias após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Amaral provocou polêmica e surpreendeu o governo ao declarar que o Brasil não deveria ''renunciar a nenhum conhecimento científico'', incluindo o necessário à construção da bomba atômica.
A repercussão do caso assustou a comunidade internacional, especialmente a vizinha Argentina, e abriu caminho para Amaral ser incluído, a partir daí, em todas as listas de prováveis ministros que perderão o cargo na reforma ministerial prevista para o fim do ano.
Questionado ontem sobre sua eventual saída do governo, ele disse que a pergunta deve ser feita a Lula. ''É ele quem nomeia e demite'', afirmou, negando ter discutido o assunto com o presidente. ''Converso com o presidente Lula os assuntos do meu interesse e não aqueles que a imprensa pauta.''
A principal diferença de um submarino nuclear para outro convencional é a autonomia. O nuclear pode ficar até cinco anos submerso, enquanto os demais precisam retornar à superfície a cada 36 horas para recarregar o estoque de ar necessário ao funcionamento do motor, segundo explicou o diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, contra-almirante Alan Paes Leme Arthou.
A Marinha já tem as peças que formam o reator e o desafio agora é justamente montar o artefato, item fundamental para a construção de um submarino nuclear. Segundo Paes Leme, o custo da operação é estimado em US$ 180 milhões e a tarefa consumiria sete anos, se houvesse um fluxo permanente de recursos. Mas o problema é justamente a falta de verbas.
''Temos a decisão política de fazer avançar o programa (nuclear). Estamos numa crise financeira, com dificuldades orçamentárias, e estamos nos preparando para a revisão do programa e a retomada dos investimentos a partir de 2004'', disse Amaral. Além da defesa militar, os submarinos nucleares serviriam, segundo ele, para combater a pesca predatória no litoral brasileiro. Decidido a também concluir a Usina Angra 3, o ministro espera atrair parceiros privados. Amaral não soube informar o valor necessário para finalizar a usina.

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